o diálogo comigo mesmo no tempo

[qua] 25 de junho de 2014

ontem. ainda é ontem. da série aprendizado existencial no transporte ‘público’ florianopolitano: #1 às vezes é necessário arriscar-se e descer um ponto antes, mesmo que este seja desértico e escuro; preferir a tranquilidade de um terminal te fará perder o ônibus por menos de um minuto e ficarás em espera… parado na vida. #2 às vezes é melhor arriscar-se e ir a pé para casa, mesmo que seja três quilômetros e meio pela frente, ainda chegarás antes do que se estivesses lá esperando. lição: arrisque-se, é mais saudável. terminais são terminais – morre-se a conta gotas na espera. ps: e na pior das hipóteses terás que caminhar… oxigenar o cérebro, trabalhar a caixa torácica, movimentar estes músculos tão acomodados aos bancos, cadeiras e sofás. e na hipótese mais surpreendente, ganharás uma carona de algum conhecido ou desconhecido. a gentileza de alguém. e sobre a escola: foi um dia horripilante, sem planejamento claro, disperso e confuso… algumas coisas no improviso funcionaram, outras não. repensar… por favor, repense. e melhor, faça alguma coisa. mas o sentimento era: eu não queria estar ali. hoje, ainda é hoje. acordei cedo. o despertador as sete me chamou, e a gata, que pulou a janela, também fez questão de me convencer com sua insistência dramática por um pouco de ração. mas a sonolência e o friozinho da manhã me levaram para o colchão velho estirado ao chão. e havia ainda o recado de izabel, que viria as oito e precisava de ajuda para realizar os deveres. esperei, dormindo, ela chegar. ela chegou eram nove e meia. ajudei-a em sua pesquisa até as onze. ele foi para casa dela e eu voltei a cochilar. até sonhei… e só lá pelas duas da tarde levantei. e estou neste limbo deste então. são três e dez. trilha sonora de ontem: cartola, mordida. trilha sonora de hoje: beirut. lembrete para hoje, para agora [vai que de dentro deste corpo imóvel, moribundo, rasgando todas as amarras, surgirá o cara que vai fazer todo o trabalho que precisa ser feito e vai até sonhar em transformar a si e ao mundo que o cerca]: tenho que fechar notas de pelo menos 3 turmas hoje. finalizar diários de outras 3. e organizar as cinco intervenções de hoje. e ainda sair mais cedo já que haverá conselho deliberativo escolar as 18h. e para um registo meio perdido por cá, mas apenas meio, por é um cadinho motivado por estes pensamentos que me assomam diariamente sobre estas dificuldade de lidar com a docência, com a escolarização, e com o mundo como um todo. e noutro dia vi uma reprise de uma entrevista de ondjaki no entre programa umas palavras do canal futura, que falava sobre sua formação em licenciatura em ciências sociais e o caminho pela literatura. e parafraseando ele, já que não recordo suas palavras precisamente, mas que naquele momento em que ele falava me fizeram pensar em algo que eu já tenho consciência há muito tempo… era algo como: ‘eu não escolhi, não tive a sorte de saber desde pequeno o que queria fazer, apenas fui fazendo o que me aparecia, seguindo o caminho que me aparecia, neste sentido… eu não escolhi, as coisas da vida me escolheram’. e mais algumas coisas tem incomodado neste últimos dias: a falta de grana, a dependência de meus pais ainda, a instabilidade e precariedade… mas algumas coisas eu posso tentar mudar agora – e dai a necessária coragem para cambiar os ritmos –  e outras é necessário mais tempo – e dai a necessária paciência para aguentar a turbulência. enfim… este texto e as demais incursões/reflexões de hoje cessarão porque o que era para hoje, e para agora, já está ficando para amanhã… o dia de hoje se pinta com a tinta de ontem… agora é saber até quando?! até quando este diálogo surdo-mudo comigo mesmo no tempo?!

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