das coisas perdidas

[seg] 23 de junho de 2014

ao fundo: drexler.

nos pés: frio.

na madrugada: solidão.

no pc: faxina

nesta postagem: alguns rascunhos perdidos pelo disco-duro. salvei-os entre tantos e estes outros, mais que trinta. foram deletados.

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1. [título – sem título] [momento de inspiração – umas das inúmeras discussões de minha vó com minha mãe] [data: 10.4.2014] [situação – anotações soltas, rascunho]

a balança para pesar a desilusão
a sonoridade de um cão
a porta que adentra o portão

em terra estranha

estreito-largo

a dureza aprende-se com as pedras.

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2. [título – broto concreto] [momento de inspiração – não recordado] [data: 12.4.2014] [situação – duas estrofes. exercício inacabado, rascunhos]

avisto um broto vivo
irrompendo
desse chão duro demais
tão armado em concreto aparente e bruto.

nesse chão duro demais
tão armado em concreto
tão aparente que é bruto
irrompe, como uma cicatriz viva,
um broto

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3. [título – dente quebrado] [momento de inspiração – não recordado] [data: 18.2.2013 – 13:51] [situação – rascunho]

de repente
você tropeça,
arranca a tampa do dedo
quebra um dente
e descobre que as coisas não
estão tão calmas assim
de repente
você descobre
que terá uma hora a menos
e que tudo é mais confuso
do que você imaginava…

de repente são imagens novas
colorindo estas velhas entranhas

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4. [título – exercício sobre a não-hora] [momento de inspiração – eventos da semana] [data: 2.1.2014] [situação – rascunho]

manhã-depois (ou o exercício sobre a não-hora)

e as horas amanhecem
é sol intenso, é escuro, é ouro-fogo
é chumbo, é o crepúsculo-aurora,
é… já não importa qual hora.

e se se perde a noção destas
voltas sem ponteiros, destes dias inteiros
no mais do mesmo, destes anos passando
entre leitos e leituras, às turras.

é no acordo-durmo de um ao outro,
bem no meio-todo, indefinido,
e só – sem artíficios, nem fogo,
sem desejo, nem sonho,
escondido,
fazendo conta que é vivo.

e no interim, sem somar,
apenas no passar e trespassar
o espaço-gente, tudo-todos,
num ontem, no anteontem,
e já trasantontem,

e nestas retinas vidradas
o mundo passa, lá,
no olho morto da gata branca
antes do enterro
no olho medroso do gamba filhote
antes do aconchego
no desejo estranho que aceite, a nova terra
e vingue, o garapuvu pequeno,
e também o abacateiro, transplantado,
há um par de horas.

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5. [título – sono] [momento de inspiração – a luta contra o sono numa noite qualquer]  [data: 14.12.2013] [situação – rascunho]

o sono chega
e ele resiste
não vê sentido
é só um colchão velho
estirado no chão duro
o sono chega
e ele resiste
não sabe sentir
é só um coração velho
esquecido no chão duro
o sono chega
ele desiste
como um pão velho
mofa no chão duro.

 

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