pas de problème

[seg] 9 de junho de 2014

3:30 por que esse ofício? a escolha é um abismo. e são tantas dúvidas… tantas questões. e cadê as citações do marshall sahlins? e o texto do pierre clastres? e aquela passagem perdida de saramago sobre a pele? e no plano pragmático falta a grana… e opera-se assim no negativo. e nesse turbilhão oscilante, às vezes, quase o tempo todo, o mundo e as escolhas aparentam uma “absurdidade”, aleatórias, caóticas.

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«e não existe problema que não tenha solução e se não tiver solução não é problema» sotigui kouyaté.

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14:08 agora, horas depois do texto acima. identificando que tenho pelo menos dois cistos sinoviais, que o pelos brancos diários já sinalizam juba a fora, e fico cá a pensar: e se me faltassem as mãos ou os olhos? se me faltasse o que suponho ter? e lá do fundo da memória me salta a ideia de um potlach… e no meio do caminho da tarde à deriva um poema [exercício de ser criança] de manoel de barros.

«No aeroporto o menino perguntou:
– E se o avião tropicar num passarinho?
O pai ficou torto e não respondeu.
O menino perguntou de novo:
– E se o avião tropicar num passarinho triste?
A mãe teve ternuras e pensou:
Será que os absurdos não são as maiores virtudes da poesia?
Será que os despropósitos não são mais
carregados de poesia do que o bom senso?
Ao sair do sufoco o pai refletiu:
Com certeza, a liberdade e a poesia a gente aprende com as crianças.
E ficou sendo.» BARROS, Manoel de. Exercícios de Ser Criança. Rio de Janeiro: Salamandra, 1999.

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