a bala como ponto final

[qui] 10 de abril de 2014

As horas avançam… Chegam! E passam… E toda minha vontade esfacela-se diante da constatação que os planos idealizados não atingiram a {suposta} integridade… Tudo é um tanto precário e um bocado provisório… Eu iria, mas agora já não sei se irei tão longe hoje ou mesmo se irei a algum lugar…

10/04/2014. Em quatro dias farão 84 anos que o poeta da revolução dava como desfecho de seu último poema uma bala como ponto final [lembrar de copiar e colar o poema/bilhete final]. Hoje, como tem acontecido em quase todos os últimos livros que li, derramei algumas lágrimas, senti aquele aperto no peito… aquele sufoco. Enfim, como havia escrito antes “Derramei uma lágrima, li sua carta e conclui a leitura da biografia sobre tu, poeta Maiakóvski”.

E não sei se é por andar as voltas com estas últimas páginas nestas últimas duas semanas, mas ando sentindo-me estranho neste mundo e a rotina exaustiva e violenta do cotidiano me faz permanecer nesta zona de desencanto diante da vida… São as horas intermináveis neste ônibus¹ lotados, nas filas e esperas sem fim nos terminais², na violência no local de trabalho, no sindicato, por parte do Estado, nas relações familiares, na falta de vida digna e feliz para todos que me cercam… Tudo é estúpido demais, alienado e alienante demais… tão burocrático e capitalista que sufoca os sonhos e a capacidade de amar…

E fazendo uma balança destas últimas semanas percebo que não conclui nada do que comecei… Tudo ficou abandonado… Amontoando-se. Eu estou por ali… No meio das coisas.

POST SCRIPTUM (ou p.s. mesmo): por enquanto carrego uma intuição cá, logo era virará um poema. até lá não sei… ando bem perdido. um estranho até para mim mesmo. perdido em meio de tanta violência. triste e raivoso. distante. só e apertado num nó.

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LISTA DE COMPRAS E PAGAMENTOS – da série rotina familiar: 3 Camisetas de uniforme escolar para Izabel. 1 Kg de Erva-mate Taragui. Incensos. TED entre bancos. Conta de Luz atrasada.

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NOTAS DE RODAPÉ

¹ que de omnibus não tem nada. ali eu não me sinto gente.. torno-me um coisa e só de pensar me dá um nojo dessa vida… me sinto violentado todo dia, e não há semana que eu não tenha que publicamente dentro do coletivo chamar atenção do cobrador ou do fiscal? é toda uma insensibilidade, uma desrespeito, uma agressividade constante. Ou eu viro um idiota ou enlouqueço.

² que se tudo der certo no dia eu gasto 3 horas num itinerário que percorre 23 quilômetros em 60 minutos embarcado – 2h são de esperas. mas se der errado serão 4 horas. é quase o tanto que permaneço em sala na escola… Gasto, aproximadamente, por baixo, 10 horas por dia em 4 dias na semana em função do trabalho – preparação de aulas (3h)/traslado (3h)/aulas em sala (4h) – ganho por 20hs.

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