passageiro…

[seg] 23 de dezembro de 2013

porque esta/va[ou] desorientado… que até renderia um inventário do por fazer [ as cotidianidades ] : os pratos de dias na pia por lavar, as roupas pela sala, pelo chão do quarto, por todos os lados… por lavar… o lixo [seco] acumulando-se… o lixo orgânico por se enterrar… os planos só em planos… nada anda. e nada – durmo pelos dias e afogo-me pelas madrugadas. ontem, e antes de ontem, escaneava todas as fotos antigas… e mergulhava em mares tumultuosos de alegrias e dores. talvez seja essa época tão oportuna para pensar e repensar e memorar e planear… mas algo me prende. dissipa-me a força do primeiro passo… e fico preso nesse laço [tão familiar/tão triste/tão estúpido].

tentei ler, ver um vídeo, um documentário, jogar paciência, mas nada.. tudo é tédio. os outros me entediam. eu sou o tédio. e a vontade é ir embora [tipo, mochila nas costas como naquela vez em que o meu coração estava partido com tudo e todos e não havia nenhum canto para esconder-me… cada dia era um dia novo, sem um lugar para voltar… contando com a solidariedade de poucos dispostos a me aceitar por um dia… por uma noite um teto e na manhã um tchau. e quando não haviam… era encontrar um abrigo para noite e lá sozinho me abandonar ao sono…  e agora é mais ou menos esse desconforto… vontade agora de dar adeus a tudo e todos, zerar tudo, amores e dores].

mas meu coração não está partido – ele está escondido em algum ponto aqui dentro – me sinto tão frio. me sinto tão perdido. me sinto como quinze anos atrás.

mas hoje eu tenho um canto/meu barraco/,

e até responsabilidades… econômicas, afetivas, familiares.

as vezes fico pensando… se não fosse izabel?! onde eu estaria?! o quão longe eu teria ido [porque quando ela veio e me arrancou a força do movimento que estava seguindo que era… ir, deixar pra trás todos os traumas familiares, essas pessoas paradas no tempo, me reinventar… aprender a ser diferente do que me causa(va) tanta dor e desconforto cá dentro. ela veio, e desde então tento aceitar este tempo, este estar por cá, cumprindo meu papel, minha cota parte, e contraditório é que me vejo no mesmo passo, parado no tempo, não me reinventado… guardando todo e qualquer sentimento, não expressando, resignando-me a sobreviver numa vida mais ou menos, ao lado de pessoas que talvez não tenham tido a escolha – suas amputações emocionais foram cedo demais¹]. e me pergunto… eu tenho escolha?

as vezes esse choque cotidiano com as próprias limitações… dá um desespero tão enorme que é bom nem olhar lá para dentro… porque quanto mais convivo neste ambiente, mas percebo que não sou tão diferente de minha família [que é quase uma anti-família]… tenho os mesmos medos, as mesmas travas, a mesma apatia, o mesmo abandono… a mesma secura. a mesma falta profunda.

e ouvindo a canção, que me permitiu este start, lembrei de algo que alguém uma vezes me disse [e confesso que aquilo rasgou meu coração… e pensando agora… foi o que eu passei a vida inteira ouvindo e me identificando]

(…)  Maybe one day you’ll understand why everything you touch surely dies (…).

como fazer diferente? como me desprender das amarras invisíveis? onde forjar a paciência e a coragem necessárias para ir além do primeiro passo? como voltar no tempo, mas não no tempo precisamente, e sim, naquele momento onde ele ousou ir além do que estava dado, do medo e do que haviam lhe estipulado – e que tragicamente teve que regressar… ficar para trás… e agora, me diz como voltar?!]

por agora me sinto em ruínas, e não me verás dizendo isto além destas letras.  keep you in the dark.

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