uma pequena carta

[qui] 10 de outubro de 2013

Abaixo um belo exemplo de como se estruturar um texto para deixa-lo truncado [e repleto de erros], de difícil leitura. Talvez uma revisão, mas cansei de revisões por hoje.

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Ao ler seu comentário senti vontade de escrever um texto – a princípio para tentar responder as inquietações, fruto de minhas contradições e limitações. Serve como uma auto-reflexão, uma autocrítica, mas pode e deve ser também um texto à reflexão coletiva. Segue:

Mas o mais tocante nesta história toda é o seguinte: é bem capaz de tu ai na Escandinávia estar mais a par do que se passa nas manifestações (que nunca pararam por cá), do que nós, cara-pálidas da Bruzundanga.

A escola pública no Brasil não é política de Estado. Nossas velhas oligarquias ignoram os direitos (tantos os conquistados e os reivindicados) do povo (essa gente que ainda precisa trabalhar para poder sobreviver), e somente “acordam” quando nós (o povo) estamos nas ruas… E se somos oceanos, em ondas, tal qual um tsunami somos bem capaz de destroçar este Estado (velho gabinete dos capitalistas). Todavia se somos apenas um córrego continuaremos apanhando de uma polícia militarizada (sob serviço do capital) e transgressora da lei, sendo caluniados pela tevê e/ou ludibriados por estes (a tevê) fabricantes de (in)consciências – a nossa amnésia coletiva (será que já somos zumbis e não percebemos?!).

É tudo tão complexo… O capital (aqueles que vivem sobre as nossas misérias) escancaradamente ditam as regras do jogo e qual será o placar final. E nós (o povo) não percebemos de onde surgem e como se criam essas regras bárbaras, mas as aceitamos sem pensar (porque é difícil fazer qualquer coisa que envolva qualquer tipo de esforço intelectual, ou “porque não vai mudar mesmo”… “tudo foi sempre assim e vai ser sempre assim”… ou ainda, “o que eu tenho haver com isto?” – e todas essas frases-feitas e tão rasas são a manifestação do pior auto-engano).

Estamos quase todos tão acostumados a essa nossa cultura fragmentária, líquida, individualista ao extremo, egoística, de coisificação (mercantilização) das coisas (pessoas, valores, relações)… tudo torna-se sob nossas mãos tão descartável, tudo é passível de ser comprado-vendido (compramos bugigangas que só nos entopem de informação inútil e vendemos nossos corpos (e a mente também) diariamente para o patrão que nos quiser “justamente” explorar), e toda essa insensatez alienada apenas nos mantém girando a roda (tal qual os cricetos ou hamsters, como queiram)…

Ás vezes eu olho para este mundo e me dá uma tristeza danada… Mas calma aí, respira fundo (mesmo que haja gás de pimenta na história), lembra do que o velho, guerreiro e sábio professor (Florestan Fernandes) disse, “ou os estudantes se identificam com o destino do seu povo, com ele sofrendo a mesma luta, ou se dissociam do seu povo, e nesse caso, serão aliados daqueles que exploram o povo”.

E sou povo (só existo se trabalho). E sou estudante (ainda e sempre, porque estudar é como brincadeira de criança, é criação fantástica, que cria e recria a própria criatura). E é necessário sobretudo identificar-se com a história de sua gente, e lutar cotidianamente para que todos nós percebamos que a nossa organização é a estrutura mais poderosa e a nossa única ferramenta nessa luta desigual… Afinal, como disse aquele outro professor-filósofo alemão – “uma democracia não deve apenas funcionar, mas sobretudo trabalhar o seu conceito, e para isso exige pessoas emancipadas (…) Só é possível imaginar a verdadeira democracia como uma sociedade de emancipados (…) A única concretização efetiva da emancipação consiste em que aquelas poucas pessoas interessadas nesta direção orientem toda a sua energia para que a educação seja uma educação para a contestação e para a resistência.” – É isto aí, respirar fundo, é necessário não desistir. Nada está dado, a vida é um longo processo de construção, as conquistas acontecem pela persistência/resistência.

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