a condição humana – total

[seg] 19 de agosto de 2013

as coisas morrem. as pessoas morrem. alguém de casa morreu.  há um lamento no ar e uma mancha rubra nos olhares. a dor no peito é imensurável, tal qual a distância que de um instante para outro se fez.

morte e vida. instantes do mesmo processo. cessa-se o sofrimento, os dilemas… as contradições. o que se perde é distinto do que se foi. o que se perde é uma certa certeza do outro ali, não importando se são centenas de quilômetros que nos separam… o outro está ali, dentro de nós – e ele se reafirma em cada vão contato, em cada efêmera relação. o outro continua ali, dentro de nós. mas o contato não há. apenas nossa solidão, nossa absurda e imutável solidão. e ida do outro trás à pele a flor das impotências, do cessar das possibilidades, o não dito ou feito, o não comunicado. e pouco a pouco tudo borra-se. o mundo fica distinto. o que se foi, foi, só. o que se perde, perde, nó não mais desatado.

e cada um carrega sua dor, tão sua, que ser e doer são instantes do mesmo processo. da mesma condição humana, mutante, total.

se houvessem mundos outros, haveria um reencontro. mas creio que nada foi perdido, da matéria nada se perde, da lembrança há  ad infinita relembrança, de nós, apenas a condição mais humana.

que fiquemos em paz, tio.

Uma resposta to “a condição humana – total”

  1. meiri Says:

    meus sentimentos.

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