a embriaguez do futuro-passado

[dom] 18 de agosto de 2013

Impressões de um dia de ressaca. referências. Haviam outras, mas se perderam no dia baleado. O livro não anda. O vômito era violáceo e espesso. As garrafas de vinho vazias, os amigos-velhos, as risadas… coisas tão raras. 99% dos convites eu digo não, talvez… Mas as vezes, vamos lá. Reencontros são assim: 50% sessão revival, 50% sessão novidades, e vai girando de grupinho em grupinho no mesmo movimento. Eu mudei, e foi bárbaro o que vivi entre 2005-2010. Mas eu mudei. Agora ando mudo.

citações:

“A pele endureceu e fendeu-se, gretada como couro velho, mas o sorriso da boca e dos olhos guardou sua luz. Apesar dos desmentidos do álbum de fotografias, sua jovem figura se curva ante seu rosto de hoje: meu olhar não lhe reconheceu idade. Uma longa vida com risos, lágrimas, cóleras, abraços, confissões, silêncios, impulsos, e parece, às vezes, que o tempo não passou. O futuro se esconde, ainda até o infinito.” {p. 10}
TRECHO DA OBRA A MULHER DESILUDIDA DE SIMONE BEAUVOIR.

{01:16:15,943 –> 01:17:02,208}
– Não é o único motivo de estar aqui.
– Eu quero lembrar.
– Por quê?
– Para poder ser eu mesmo. Ser quem eu era.
– A busca de todo homem é descobrir quem ele de fato é, mas a resposta está no presente, não no passado. Isso vale para todos nós.
– Mas o passado diz quem nos tornamos.
– O passado é uma construção da mente. Nos cega e nos engana a acreditar nele. Mas o coração quer viver no presente. Procure nele. Encontrará sua resposta.
TRECHO FILME TOTAL RECALL

“porque unindo pedaços de palavras
aos poucos vai unindo argila e orvalho,
tristeza e pão, cambão e beija-flor,
e acaba por unir a própria vida
no seu peito partida e repartida
quando afinal descobre num clarão
que o mundo é seu também, que o seu trabalho
não é a pena que paga por ser homem,
mas o modo de amar – e de ajudar
o mundo a ser melhor. ”
TRECHO DO POEMA CANÇÃO PARA OS FONEMAS DA ALEGRIA DE THIAGO DE MELLO

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CANÇÃO PARA OS FONEMAS DA ALEGRIA DE THIAGO DE MELLO

De Thiago de Mello a Paulo Freire
Peço licença para algumas coisas.
Primeiramente para desfraldar
este canto de amor publicamente.

Sucede que só sei dizer amor
quando reparto o ramo azul de estrelas
que em meu peito floresce de menino.

Peço licença para soletrar,
no alfabeto do sol pernambucano
a palavra ti-jo-lo, por exemplo,
e poder ver que dentro dela vivem
paredes, aconchegos e janelas,
e descobrir que todos os fonemas
são mágicos sinais que vão se abrindo
constelação de girassóis girando
em círculos de amor que de repente
estalam como flor no chão da casa.

Às vezes nem há casa: é só o chão.
Mas sobre o chão quem reina agora é um homem
diferente, que acaba de nascer:

porque unindo pedaços de palavras
aos poucos vai unindo argila e orvalho,
tristeza e pão, cambão e beija-flor,
e acaba por unir a própria vida
no seu peito partida e repartida
quando afinal descobre num clarão
que o mundo é seu também, que o seu trabalho
não é a pena que paga por ser homem,
mas o modo de amar – e de ajudar
o mundo a ser melhor.
Peço licença
para avisar que, ao gosto de Jesus,
este homem renascido é um homem novo:

ele atravessa os campos espalhando
a boa-nova, e chama os companheiros
a pelejar no limpo, fronte a fronte
contra o bicho de quatrocentos anos,
mas cujo fel espesso não resiste
a quarenta horas de total ternura.

Peço licença para terminar
soletrando a canção de rebeldia
que existe nos fonemas da alegria:

canção de amor geral que eu vi crescer
nos olhos do homem que aprendeu a ler.

MELLO, Thiago de. Faz escuro mas eu canto: porque a manhã vai chegar. 23. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2009. p. 35-36

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