posparanorma…

[sex] 9 de agosto de 2013

Amanheci, cansado e assustado, e com a vontade de narrar meus dilemas existências e sociais. “Autista social”!? “Não-pertencimento”?!

Mas o certo é que despertar com o despertador até despertei, mas era cansaço demais e fiz assim… dorme, que tudo depois vai se encaminhar. E não fui. Não fui. Fiquei. Acordei meio de ressaca, daquelas que ficamos quando damos o bolo em um compromisso, quando dizemos que vamos e não vamos… e ficamos. Eu fico muito.

Mas essa é uma dificuldade antiga, difícil de ser rompida… e já perdi a conta neste ano quantas vezes estive nessa mesma situação e disse para mim mesmo: amanhã farei tudo diferente. E dias após dia, vou eu mansamente faltando aqui e ali, e furando este e aquele compromisso, postergando… Nessa viciante lerdeza, nesse acurrucamento comigo mesmo. E não é o isolamento físico apenas… É um isolamento sentimental, aquilo que quando adolescente eu chamava de capsula de auto-sobrevivência, meu exoesqueleto anti-social, minha concha de ouriço do mar. Mas isto não exclusividade minha. Há milhões de seres compartilhando comigo esse padrão de comportamento social.

Há pessoas com facilidade na interação, e para mim tudo é um dilema, um esforço colossal… E eu, vou bem, obrigado, na solidão… Sentido-me perdido e triste, as vezes, mas tranquilo com a situação em boa parte do tempo – as vezes me pego pensando… E lá quando a velhice chegar, ainda estarei só?!

O difícil é frustar os compromissos assumidos, é dizer que farei A e realizar B. Mas será que é difícil mesmo?! Será que não há um recompensa (inversa) nesse processo? Um certo prazer (doentio) na frustração das expectativas (suas e dos outros)? Uma visão distorcida de si mesmo… Uma estimativa de sim mesmo extremamente baixa? uma fragilidade imobilizadora? Se fosse isto uma hipótese; e na analise empírica, da prática cotidiana, teria uma certa validade.

Gosto da imagem (positiva, carinhosa, fraterna) que fazem de mim e me narram, e muitas vezes, acho até surreal, porque aqui dentro não consigo entender… Porque aqui dentro, sabe, há um buraco maior que o mundo… Uma dor tão grande e um puta medo de tudo e todos, que essa sabotagem, vista dentro desta perspectiva não é mais uma falta, um erro, e sim o modo normal de tratar/realizar essa auto-imagem. Raramente sinto-me digno do querido camarada, do querido amigo, do querido amante, que os demais me trazem.

Fugir, faltar, esquecer é um (maldito) reencontro com essa imagem interna. Uma tentativa (estupida) de negar a possibilidade de ser bom, ou feliz, sei lá… UM HOMEM PADRÃO!

Quando fazia terapia 2010/2011 haviam alguns exercício, e não importava saber qual era a origem deste comportamento/sensação pois foram as inúmeras violências e violações de ordem simbólicas e físicas sofridas ao longo do meu desenvolvimento enquanto ser humano, a solidariedade-prisional com o sofrimento/neurose dos próximos…  Enfim, os exercícios ajudavam, mas foi a época que eu mais chorava nessa vida, porque tudo ia à flor da pele… E no fim, aprendemos que não há cura, para o vício da auto-mutilação, porque o meio social é um ambiente no geral deformador, nos amoldando num sentimento mesquinho de frustração e apatia.

Há umas cinco correspondência de pessoas queridas, que nem responder eu fiz, abri, li, e continua ali… esperando a resposta. e aqui na terra do nunca.

ps: este texto começou a ser escrito lá pelas 11 horas e foi abandonado, editado, excluído, reescrito… editado, abandonado, excluído… reescrito. e agora depois de 4 deu vontade de passar mais um dia sem escrever nada. Mas tenho um compromisso agora, e seria importante marcar essa reflexão na luta contra continuar fazendo mais do mesmo cá na terra do nunca.

E sobre a semana, primeira de aula, depois do recesso… Foi boa, segunda, terça e quarta normal, cansativa na quinta-feira depois de uma madruga de quartaparaquinta sem dormir e trabalhar das 8h00 até 20h00. É meio óbvio que eu não daria conta de ir no curso sexta-feira de manhã, ‘tava ferrado de sono e cansaço.

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