cosmos e caos

[seg] 11 de março de 2013

O que caracteriza as sociedades tradicionais é a oposição que elas subentendem entre o seu território habitado e o espaço desconhecido e indeterminado que o cerca: o primeiro é o “mundo”, mais precisamente, “o nosso mundo”, o Cosmos; o restante já não é um Cosmos, mas uma espécie de “outro mundo”, um espaço estrangeiro, caótico, povoado de espectros, demônios, “estranhos” (equiparados, aliás, aos demônios e às almas dos mortos). À primeira vista, essa rotura no espaço parece consequência da oposição entre um território habitado e organizado, portanto “cosmizado”, e o espaço desconhecido que se estende para além de suas fronteiras: tem-se de um lado um “Cosmos” e de outro um “Caos”. Mas é preciso observar que, se todo território habitado é um “Cosmos”, é justamente porque foi consagrado previamente, porque, de um modo ou outro, esse território é obra dos deuses ou está em comunicação com o mundo deles. O “Mundo” (quer dizer, “o nosso mundo”) é um universo no interior do qual o sagrado já se manifestou e onde, por consequência, a rotura dos níveis tornou-se possível e se pode repetir. É fácil compreender por que o momento religioso implica o “momento cosmogônico”: o sagrado revela a realidade absoluta e, os mesmo tempo, torna possível a orientação – portanto, fundo o mundo, no sentido de que fixa os limites e, assim, estabelece a ordem cósmica. pp. 32-33

O espaço sagrado e a sacralização do mundo. O Sagrado e o Profano. A essência das religiões. Mircea Eliade. Tradução Rogério Fernandes, Martins Fontes. 1999. SP.

 

***

‘tá tudo confuso nessa semana. o corpo estranhamente exausto e a cabeça… distante, avoada, com pensamentos tristes. são os ciclos, as euforias e os desalentos. meus olhos estão verdes e minha barba gigantesca. estou sem grana e preciso ir ao dentista. a casa espera uma arrumada e só consigo ir de lá para cá deixando um monte de coisas por acabar… queria ficar dormindo, mas sei que isto é a última coisa que devo fazer nesta hora. não seria saudável. não é o remédio. e o que tenho nem sono é. respirar fundo e ir… hoje tem aula.

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