plano de navegação

[qua] 6 de outubro de 2010

uma máquina fotográfica. uma aula sobre arnold van gennep, e seus ritos de passagem.

plano: fotografar o passado, viver o presente e sonhar o futuro. e no fim, conversamos quase uma hora sobre o que é política para ti e para mim, sobre nossas relações, nossos pais, nossos amores… e a minha (nossa) crise com a universidade e o discurso acadêmico, ou mais precisamente, o conflito entre discurso e a ação nesse mundo do cão. como é dificil buscar a prática que realize, ou busque realizar, o que os discursos apontam. somos tão presos, a maioria de nós, a convenções e preconceitos estúpidos, que nos amarram, e por vezes, nos amputam, da possibilidade de contestação do que nos violenta.

e sinto que está chegando a hora de desvestir esta armadura da criança violentada e do menino rejeitado e observar o meio com olhos sensíveis [recuperar aquele cara que está aqui em algum lugar].

imagens do dia

observando o mar de todo dia

e à noite, enquanto matava parte da aula, registrando o passado.
um sofá

LISBON REVISITED
(1923)
Não: não quero nada
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!
Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo…
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
1923
Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993). – 247.
1ª publ. in Contemporânea, nº 8. Lisboa: 1923.

[Tanta Guerra, Tanto Engano…]

No mar tanta tormenta e tento dano,
Tantas vezes a morte apercebida;
Na terra tanta guerra, tanto engano,
Tanta necessidade aborrecida!
Onde pode acolher-se um fraco humano,
Onde terá segura a curta vida,
Que não se arme e indigne o Céu sereno
Contra um bicho da terra tão pequeno?

Os Lusíadas [I, 106] Camões

Versos Íntimos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Augusto dos Anjos

anotações aleatórias da aula de antropologia - ritos de passagens de arnold von gennep

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