os comunas (trechos)

[seg] 1 de março de 2010

sonâmbulo como a lua. miro à noite, sortilégios. me hace certa falta tu aqui…

gosto deste gosto da manhã que vem com a brisa deste mar próximo. mescla todos os cantos de todos estes pássaros que acordam a manhã, e galos que vão raiando o dia, e os motores dos barcos que partem. é essa aurora orvalhada, nuvens baixas e um céu imenso e rosa. é, faz certo friozinho, destes que um abraço do teu corpo moreno … sonâmbulo, a lua cheia que me namora, sós.

e da madrugada estudando, antes mesmo de começar o semestre [já que hoje é o primeiro dia letivo], algumas anotações do livro que li a poucos dias:

MARTINS, Celso. Os Comunas: Álvaro Ventura e o PCB Catarinense. 255 páginas. Florianópolis: Paralelo 27; Fundação Franklin Cascaes, 1995.

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Os Comunas: Álvaro Ventura e o PCB Catarinense

Apresentação

O processo educacional brasileiro tem muitos graves equívocos. Um deles é o de oferecer aos estudantes compêndios de história apenas a versão oficial, o relato dos vencedores, nem sempre identificado com a realidade.

Santa Catarina, em matéria de memória política, é uma pobreza, um desastre. Líderes de expressão nacional deixaram depoimentos restritos sobre acontecimentos importantes que marcaram a história do Brasil, mesmo envolvendo personagens com direito a papéis destacados no cenário das principais decisões.

Resgatar informações, testemunhos e fatos do passado recente do estado e do país constitui missão nobre que enriquece a cidadania. Evita lapsos de memória ou hiatos da desinformação, bloqueadores da avaliação correta e justa de fatos políticos que mudaram a vida dos catarinenses e dos brasileiros.

O notável trabalho do companheiro Celso Martins tem méritos incontáveis. Penoso levantamento sobre um partido que agiu quase sempre na ilegalidade. Preciosa coleta de declarações de homens simples que, movidos pelo mais puro idealismo, lutaram pela melhoria das condições de vida dos trabalhadores. Investigações sistemáticas de passagens ricas da política nacional. Uma pesquisa de fôlego.

Há muito mais a registrar neste relato jornalístico que tem tudo para se transformar num importante documento para futuros estudos acadêmicos. É que o autor, mesmo situado próximo dos personagens e de alguns episódios aqui narrados, brinda os leitores com um texto isento, agradável e fluente. A narrativa prende, envolve, estimula do primeiro ao último capítulo.

Versões novas e verdades antigas sobre fatos históricos que marcaram o século XX surgem com a legitimidade da palavra oficial de seus principais atores, sempre documentadas pelos principais matutinos catarinenses. E ali são reveladas outras particularidades: os diários, então, davam uma cobertura extraordinária aos movimentos de esquerda e mantinham no Rio correspondentes permanentes com relatos pormenorizados.

Catarinenses do pós-guerra que viveram em Florianópolis certamente se recordam de nomes muito conhecidos: o exemplar “professor Martins”, o solidário juiz de paz Hipólito Pereira, Mario Bastos, o bancário Dilermando Brito, Eglê Malheiros, o eletricista Mimo e o líder sindical Álvaro Ventura, todos nomes que, na cena aberta ou na terrível luta da clandestinidade, trabalhavam pelo Partido Comunista em Santa Catarina.

Os que conheceram estes e outros dos militantes aqui arrolados, concorde-se ou não com suas ideias e com as causas que abraçaram durante anos, vão encontrar um traço comum em suas biografias: eram cidadãos honestos, idealistas, bravos, lutadores e muito conceituados na comunidade.

O edifício comunista implodiu com a queda do muro de Berlim, detonado pela Perestroika de Mikhail Gorbatchev. O trabalho de Celso Martins mostra que o regime começa a ruir a partir das profundas decepções dos dirigentes e militantes comunistas do Brasil e de Santa Catarina com a divulgação das atrocidades inomináveis praticadas na União Soviética pela ditadura stalinista.

Para esquerdistas ou direitistas é um robusto trabalho de leitura obrigatória que se consome prazerosamente numa única virada.

Moacir Pereira

Comentarista Político

NOTA DO AUTOR

O presente trabalho é fruto de pesquisas e arquivamento de papéis e documentos, desde minha entrada no extinto PCB, em meados de 1975, até a presente data, apesar de ter me desligado informalmente da agremiação a partir de 1986. Durante o tempo de militância clandestina, ouviram-se muitas narrativas, quase todas no limiar entre a lenda e a verdade histórica. A primeira sistematização da história do PCB catarinense foi feita em 1982 pelo jornalista Luís Carlos Cancelier, com o apoio e cobertura deste autor e outros militantes. Uma sequencia de três matérias foi publicada no jornal O Estado (OE) daquele ano.

Mas recentemente, o veterano comunista Manoel Alves Ribeiro, já falecido, lançou o precioso Caminho, testemunho das lutas e amarguras, das dores e alegrias de quase 50 anos de efetiva atuação na organização partidária. As informações na presente obra têm como base esse livro, mais oito horas de gravações, em diversas oportunidades, de depoimentos, conversas e recordações do próprio Mimo. Uma entrevista dada por Álvaro Ventura aos jornalistas Laudelino José Sardá e Nelson Rolim de Moura foi usada como roteiro para a reconstituição da trajetória do ex-deputado.

Essa foi a base da obra. Para chegar ao resultado final foram necessárias várias outras entrevistas com velhos membro do PCB e seus familiares, além da leitura de periódicos, livros e folhetos. Destaques para os depoimentos prestados pelo filho de Álvaro, João Ventura, que não só forneceu todos os documentos, fotos e informações possíveis, como percorreu com o autor alguns dos lugares frequentados pelo pai ao longo dos anos.

Cerca de 70% dos textos foram redigidos em Laguna, durante o carnaval e quaresma de 1994. O restante foi concluído em Florianópolis. A convivência e o contato direto com a maioria dos personagens do livro, ou seus descendentes, dariam um capítulo à parte. Todos têm orgulho do passado e consciência de que foi cumprido um papel histórico, em especial na luta pela melhoria das condições de vida e salário dos trabalhadores. Alguns entendem que se encerrou um ciclo. Outros mantêm uma fé inabalável no socialismo como futuro para a humanidade.

Devo registrar ainda que bem poucos parentes dos velhos comunistas se negaram a fornecer informações. Esses foram movidos pelo medo que ainda existe de uma recaída repressiva. Por isso continuam guardando seus segredos com muito cuidado, alguns dos quais vão acabar desaparecendo, pois estão apenas nas memórias. Certas lacunas existem no trabalho. Espero que possamos servir de ponto de partida para o aparecimento de novos documentos e testemunhos e novos escritos sobre o assunto. Não ofereço uma obra acabada, mas fragmentos e personagens reunidos, lutando por justiça social e bem-estar. (p. 13-14)

***

PRIMAVERA REBELDE
A HÉRNIA DO ESTIVADOR

[…] Depois de algum tempo foi para São Paulo. Lá a vida era mais difícil. Além de se integrar ao movimento anarquista daquele estado, aprendeu diversos outros ofícios: carpinteiro, marceneiro, pedreiro, alfaiate, padeiro, encanador, latoeiro, e outros. “Apesar de minha militância inicial nesse tempo, desde 1910 eu comecei a ter problemas com a polícia. Por causa de um comício ao pé da estátua de Fernando Machado, no centro de Florianópolis, em defesa das oito horas de trabalho, fui demitido.”

Com proletariado mais desenvolvido, as ideias anarquistas e socialistas circulavam com maior frequência. Abguar Bastos, contemporâneo das lutas antiguerreiras, explica: “A grande luta, em que tanto se invocara o nome da civilização e da cristandade, não fora outra coisa mais do que choques de interesses simplesmente comerciais, guerra entre monopolistas de combustível (carvão e petróleo) e de minérios e seus produtos (ferro e aço)”. […] Logo em seguida surgiram em São Paulo as grandes greves de 1917 e 1918. Ventura teve contato com os principais líderes, todos anarquistas ou socialistas pré-marxistas, como Edgar Leuenroth, Everardo Dias, Benjamin Mota, José Oiticica e Astrogildo Pereira.

Só o impacto da revolução Russo de 1917, com enorme repercussão internacional durante alguns anos, superou a força dos primeiros contatos mantidos por Ventura com o núcleo revolucionário estabelecido no Rio de Janeiro e em São Paulo. (p. 17)

O anarco-sindicalismo floresceu sobretudo nos primeiros 20 anos do século XX. O anarquismo e a sua variedade, o anarco-sindicalismo, foi uma corrente no movimento operário no geral revolucionária, mas de caráter pequeno-burguês. Diferentemente do anarquismo clássico (bakunismo), o anarco-sindicalismo adotou algo do marxismo (o ensinamento sobre a luta de classes), reviu uma série de dogmas (sobre o papel do terror individual) e apoiava-se nos sindicatos como forma fundamental de organização da luta proletária e célula do futuro ‘socialismo sindicalista’.

A principal arma dos operários – na opinião dos anarco-sindicalistas – deveria ser a greve, a ‘ação direta’ transformando-se em revolta armada. Os partidários das ‘ações diretas’ não achavam necessário lutar por um partido político do proletariado, supondo que a melhor forma de organização dos operários é o sindicato.” (Koval) (p. 18)

ENTRE A PLEBE E O SOCORRO VERMELHO

Ventura encontrou Santa Catarina mudada. A começar pela intensa campanha eleitoral que se desenvolvia no interior do Partido Republicano Catarinense, único desde o final sangrento da Revolução Federalista. “A campanha de Hercílio Luz contou com grandes manifestações de rua, de apreço popular por onde quer que passasse. Lauro Müller era o grande líder daqueles tempos, dividindo a chefia a chefia do PRC com Hercílio Luz. Felipe Schmidt era o governador em 1918. Müller queria como sucessor Schmidt, Abdon Batista. O clamor popular forçou os republicanos a buscar a seguinte fórmula: Müller para governador e Hercílio para vice. Lauro renuncia depois para Hercílio Luz assumir. E foi o que aconteceu. Fato que desgostou muita gente.” (Pauli). (p. 18)

Rompido com os anarquistas, Álvaro acabou se filiando ao PRC.

[…] A solução de gabinete encontrada para impedir qualquer cizânia entre os republicanos pareceu a Álvaro Ventura um acerto por cima. […] Isso força uma reaproximação, agora decisiva, do jovem estivador com os grupos e elementos anarquistas, de esquerda, e mesmo com alguns poucos comunistas que já se insinuavam nos meios trabalhadores e intelectuais locais.

“Minha vida foi marcada por certos desencontros com o Partido Comunista. O partido , praticamente durante toda a década de 20, fico nas mãos dos pequenos-burgueses, como Otávio Brandão, Fernando Lacerda e outros”. Daí a indecisão (dele, Ventura), naquele momento, ora por uma corrente, ora por outra, dentre as atuantes no meio em que vivia.

“Em 1922, quando vim trabalhar na construção da ponte Hercílio Luz, conheci o Ventura”, recorda Manoel Alves Ribeiro, Mimo, um dos poucos desse tempo que prosseguiu na militância política até 1964. “A gente se conheceu no Sindicato da Estiva, lá no fim da rua Francisco Tolentino, durante uma reunião. Ele era mais velho do que eu, já era anarquista veterano.” (p. 19)

O mesmo contemporâneo de Ventura recorda as atividades do Socorro Vermelho. “Era dinheiro que a gente tirava aqui e mandava para os russos, ainda em 1922. O pessoal se reunia e traçava uma campanha de finanças. Passávamos alguns jornais e pedíamos ajuda, com a própria A Plebe e outras publicações […].”

Destas reuniões participavam, além de Álvaro e Mimo, personagens que continuaram à frente das lutas políticas e sindicais comunistas, como José Rodrigues da Fonseca; Fernando Willen; proprietário da Casa Musical, na rua João Pinto; Porfírio Gonçalves; Mustaphá Guarany e Silva, aposentado da polícia; e José Luís, alfaiate de Laguna que sempre aparecia em Florianópolis naquele tempo. Vez ou outra estavam presentes os anarquistas Ungarreti e Arthur Galetti, alfaiate. […] o Socorro Vermelho; durante todo o tempo em que trabalhei na ponte, de 1922 a 1927, ele existiu.”

Enquanto a corrente anarquista perdia força e espaços, os comunistas ganhavam terreno, com a fundação, em 1922, do PCB. “Já na época eu tinha ligações com o Partido, apesar deste não existia aqui. O partido constituía-se apenas de algumas pessoas, ainda não tinha uma estrutura real. Limitava-se ao Rio de Janeiro e alguns adeptos em outros estados como em Pernambuco, que era o mais revolucionário do país.” (Ventura)

O grupo continuo se reunindo, formando “um bloco que estudava a questão social e política brasileira, para sempre estar em dia com os problemas, com os acontecimentos”. […].

Entre os acontecimentos nacionais que dominavam as conversas do grupo figuravam a Revolta do Forte de Copacabana em 1922, marco inicial da intervenção dos “tenentes” na vida política brasileira. […]. (p. 20)

Com a proximidade das eleições de 1930 o país voltou a se agitar. “A campanha de Getúlio para presidência se transformou mais tarde na Aliança Liberal. […]”. Ventura estava lá e também recorda que “o Partido Comunista acha que não poderia participar dessa campanha […]”.

Mais uma vez Ventura rompe os contatos que voltara a ter com os comunistas, do Rio de Janeiro principalmente. “Minha posição naquela época era a de agitador. […] Passei em Santa Catarina, onde acabei sendo preso depois de protestar contra a sacanagem que fizeram. Não respeitaram o manifesto da Aliança Liberal, que dizia que o povo ficaria com as armas na mão para defender a revolução. Fiz então um comício em praça pública e acabei detido […]. Mais tarde fizeram a lei do porte de arma.”

Eu era católico e professava o catolicismo. Fui irmão da Irmandade do Senhor dos Passos, no Hospital de Caridade. Ajudava a fabricar caixão de defunto, consertar canos de água e outros serviços. Os senhores Brando e Faraco um dia ofereceram dois operários em troca do meu afastamento, porque era comunista. Mas as irmãs disseram que não sabiam que eu era comunista, mas sabiam que o senhor Ventura servia bem. Se à meia-noite faltava água, o senhor Ventura ia consertar o cano. (p. 21)

Mas quando fui eleito deputado e fiz minha confissão de fé comunista, me expulsaram da Irmandade. Apesar disso eu continuei a lutar dentro do Partido contra o ateísmo, por entender que isso dificultava o povo a se aproximar do movimento revolucionário. Tinha muitas discussões com elementos do Partido, mas nunca se levava aos congressos, por antes de tudo se evitava o conflito que pudesse culminar com a dissolução da organização.” (Ventura)(p.22)

O TIFO E O GENERAL

[…] Os colonos alemães que tinha acabado de chegar a Porto Feliz (atual Mondaí), no extremo Oeste de Santa Catarina, levaram um susto quando viram aparecer, no dia 20 de janeiro de 1925, a vanguarda das tropas de Luís Carlos Prestes, que vinha do Rio Grande do Sul, rumo a Foz do Iguaçu, onde faria junção com os combatentes de Isidoro Dias Lopes, para daí seguir com a Coluna. O primeiro a chegar foi o major Cordeiro de Farias, avisando que Prestes aproximava-se com suas forças e as propriedades dos colonos seria respeitadas. (p. 22)

O CAVALO PASSOU ENCILHADO

Os primeiros raios da manhã do dia 24 de outubro de 1930 flagraram os passos largos com que um grupo de pessoas se dirigia aos cais do porto de Florianópolis, no antigo Miramar. Eles tinham saído do palácio do governo deposto e não dissimulavam a pressa em deixar a cidade. O então governador Fúlvio Aducci, seus familiares, colaboradores e secretários de Estado carregavam, visivelmente constrangidos, seus pertences, na falta de quem o fizesse por alguns trocados. […] Estava eliminado o último foco de resistência ao movimento iniciado às cinco e meia da tarde do dia três de outubro, em Porto Alegre, e que levaria Getúlio Vargas ao poder. (p. 26)

A força destaca para tomar o Sul catarinense partiu com 10 homens, comandados por Trifino Correia, veterano da Coluna Prestes e um dos poucos tenentes que ingressariam no PCB mais tarde. Com Trifino estavam Ernesto Lacombe, Ary Santana Guimarães, Ernesto Lacombe Filho, Germano Donner e outros. Sem encontrar resistência, com muitas adesões de tropas e populares armados, os rebeldes subiram até São José, tomando todas as cidades no caminho. […] (p. 27)

[…] De acordo com os depoimentos de Mimo, “alguns companheiros nossos pegaram em armas naquele tempo. O Oscar Ammon foi um deles que chegou aqui com a revolução de 1930”. Poucos de Florianópolis. “Chegamos a nos preparar para tomar parte mais ativa desde 1929, quando a crise econômica criou as condições necessárias. Chegamos a discutir isso. Mais aí veio 30 e ficou por aquilo mesmo. Por si só o Partido não teria condições de fazer a revolução.” (p. 28)

***

COMBATES SINDICAIS
FEBRE SINDICAL NO PÓS-30

O movimento de 1930 teve o mérito de abrir as comportas das demandas sociais reprimidas, em especial dos trabalhadores. Uma das consequências da descompressão foi a aparecimento de uma “febre sindical”, criando-se “em nosso meio a ideia de que o sindicalismo ia resolver as tarefas do país. Houve uma euforia muito grande”. (Mimo) […]

Mas é com a Lei de Sindicalização que mais ou menos se definem os rumos da militância. […]. Para um estrangeiro se sindicalizar deveria ter pelo menos 20 anos de resistência ininterrupta no país. (p. 29)

Este artigo teve particular efeito em Santa Catarina por excluir da sindicalização contingentes enormes de trabalhadores estrangeiros, instalados exatamente onde as indústrias começavam a aparecer. Por isso, o trabalho do grupo comunista não pode ir além dos mineiros de Criciúma, ferroviários, estivadores das cidades litorâneas de Imbituba, Laguna, Florianópolis, Itajaí e São Francisco do Sul, além do pessoal da construção civil e outras categorias, na capital e arredores e no planalto Norte do estado.

[…]

Em Florianópolis, o Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil, com base regional, sempre foi o mais forte. E, com exceção de algumas gestões, sempre esteve sob o controle dos comunistas locais. “Os sindicatos eram muito combatidos naquele tempo. Eles sabiam que a gente estava se organizando nas empresas. O delegado do trabalho tinha a tarefa de limitar a atuação sindical. Invariavelmente estava ao lado do patrão. Consideravam o sindicato um partido político de oposição a eles. E era mesmo.” (Mimo) […] (p. 30)

“COSPE SOBRE A MÃO QUE TE TRAIU”

A primeira participação político-eleitoral do grupo comunista, junto com outras forças de esquerda existentes no movimento sindical catarinense naquele momento, foi com a Liga dos Trabalhadores de Santa Catarina. Um ação “esquecida” pelos próprios comunistas em função do fraco desempenho eleitoral. Mas a liga surgiu como uma das principais deliberações do I Congresso Proletário de Santa Catarina. (p. 35)

Patrocinado pelos ferroviários do planalto Norte, o congresso foi realizado nos dias 15 a 18 de setembro de 1934, em Itajaí. Dirigiu os trabalhos o ferroviário Leandro Machado, que mais tarde ingressaria no PCB e seria candidato nas eleições de 1946 em legenda própria. Sebastião Carvalho Costa secretariou e José Rodrigues da Fonseca atuou na tesouraria.

[…] No total foram apresentadas 45 teses de entidades de todos os principais municípios catarinentes.

[…]

O primeiro manifesto da Liga dos Trabalhadores foi publicado em vários jornais, inclusive em A Gazeta de quatro de outubro de 1934. “As teses firmadas no nosso congresso” – dizia – “serão defendidas em todo o curso, sem medir esforços, pela Liga dos Trabalhadores de Santa Catarina, como defenderemos de o povo ter a iniciativa própria na apresentação de leis e do referendum na aprovação daquelas que emanarem do poder competente”. (p. 36)

Prometia pugnar “pela gratuidade e obrigatoriedade do ensino primário, como lutaremos por todas as conquistas proletárias, inspiradas pelo senso proletário, vanguardados pela Liga dos Trabalhadores de Santa Catarina”. E concluía pelo anúncio de um segundo manifesto “com os nomes de todos os candidatos, todos trabalhadores”. Mais agressivo, foi divulgado em 16 de outubro no mesmo diário da capital.

[…]

Entre os nomes já conhecidos e encabeçando a lista, José Rodrigues da Fonseca, Ataliba e Sebastião Vieira (dois futuros membros do “Partidão”), além de Leandro Machado, Joaquim Lopes Correia (comunistas de Itajaí) e Manoel Alves Ribeiro (Mimo). Um terceiro manifesto, saído na véspera do pleito, foi na mesma direção dos anteriores, acrescentando que “não temos conchavos com qualquer dos partidos em ação”. Os eleitores foram liberados para votar em candidato à Câmara Federal de “qualquer outro partido”. (p. 37)

[…]

ENTRAI, A CASA É VOSSA!

O frio e chuvoso inverno de 1935 foi o pano de fundo para a tentativa de criar em Florianópolis a Coligação de Sindicatos. Se não deu certo do ponto de vista dos que organizaram o trabalhos, serviu para mostrar que no movimento sindical do estado duas correntes mais definidas se formavam: de um lado os comunistas, já assumindo a liderança entre as demais forças de esquerda e inclusive os remanescentes do anarquismo e do socialismo pré-marxista, de outro as lideranças mais conservadoras, algumas ligadas ao aparato de Estado, outras não, mas que não se afinavam com as pregações que os “extremistas” vinha fazendo.

A primeira reunião foi realizada numa tarde de sábado, na sede do Sindicato dos Operários na Construção Civil, que funcionava no número 25 da rua Conselheiro Mafra. Presentes, além do sindicato anfitrião, os dos garçons, bancários, padeiros, gráficos, metalúrgicos e estivadores, e o representante do jornal O Estado (OE), Cássio Luz Abreu. Também o presidente da Associação dos Empregados do Comércio, Emídio Cardoso Júnior, integralista e líder da oposição aos comunistas no seio do movimento sindical. (p. 38)

[…]

Feita a distribuição das propostas já impressas dos estatutos da Coligação, foi dada a palavra a Álvaro Ventura, agora na qualidade de ex-deputado. O Trabalho (OT) de sete de julho de 1935 conta que “em entusiástico discurso, discorreu sobre a vida do trabalhador e disse que este não só devia lutar economicamente, mas também politicamente, pela sua emancipação. Censurou o procedimento daqueles que se aproveitam das situações para massacrar os trabalhadores, e terminou pedindo que seus companheiros prestigiassem a ação da Coligação, que no momento se acabava de fundar”.

Falaram em seguida (José Rodrigues da) Fonseca e Hipólito Pereira. O último “bordou comentário em torno da figura heroica do capitão Luís Carlos Prestes”, o que deixou desconfortáveis alguns dos presentes. O médico César Ávila, então presidente da seccional catarinense da Aliança Nacional Libertadora (ANL), “combateu a politicagem que continua a campear impunemente”, passando a vez a Antônio Vieira Machado, que atacou a “indigência infantil”.

“Muito aplaudido” foi o discurso do capitão do Exército Renato Tavares da Cunha Melo, ex-companheiro de Prestes em seu exílio no Uruguai e Argentina após a marcha da Coluna. Mais tarde assumiria a direção ANL local. Aliás, numero representação aliancista esteve na assembleia, e ao final o presidente Emídio Cardoso Júnior nomeou um a um e agradeceu a presença. Lá estavam: Renato Tavares, Jorge Vieira, tenente Belizário Santos, Manoel Alves Ribeiro, Adolfo Tremel e os cirurgiões-dentistas João Mariano dos Santos e Fausto Silveira, além de César Ávila.

[…] (OE-28.6.1935) (P. 39)

DIVISOR DE ÁGUAS

A peça seguinte no xadrez político-sindical foi movida por Emídio Cardoso Júnior, em parte o responsável pelo fracasso da Coligação de Sindicatos. Convocou uma assembleia-geral para a sede da Assemércio, na rua Visconde de Ouro Preto, estabelecendo como pauta do encontro a escolha de deputados classistas proposta na Constituinte estadual em andamento. […] (p. 42)

AS TABELAS DO COMANDANTE HERCOLINO

Nos primeiros dias de novembro de 1935, véspera dos levantes comunistas em Natal, Recife e Rio de Janeiro, os estivadores de Itajaí entraram em greve por melhores salários. Depois de algum tempo de paralisação e de pressão das autoridades locais sobre os lideres da estiva, os armadores e comerciantes se reuniram na Associação Comercial, resultando numa contraproposta aos trabalhadores: aumento de 2$000 nos dias comuns e nada noites, domingos e feriados.

Os estivadores, tanto marítimos como terrestres, recusaram a oferta. […]

Preocupado com a dimensão tomada pelo movimento em Itajaí, o governador Nereu Ramos mandou em socorro aos armadores o chefe de polícia, Claribalte Galvão, que seguiu acompanhado do delegado regional do Trabalho, Álvaro Albuquerque. Mas o que eles temiam acabou acontecendo: as estivas de São Francisco, Joinville, Laguna e Florianópolis aderiram à paralisação. Assim mesmo, realizaram várias reuniões com sindicatos e nada conseguiram, em Itajaí. (p. 45)

[…] Os esforços da dupla foram redobrados depois que o comandante da Capitania dos Portos e delegado marítimo Hercolino Cascardo autorizou a liberação de nova tabela com aumento nos salários dos estivadores. Cascardo, presidente da Aliança Nacional Libertadora (ANL), tornada ilegal no início de julho daquele ano, tinha sido transferido do Rio de Janeiro para São Francisco, numa manobra de Vargas para dificultar articulações em unidades maiores da capital federal. A decisão de Hercolino deixou exasperados os comerciantes e industriais, exportadores e importadores de Joinville, usuários do porto de São Francisco.

[…] (p. 46)

Durante todo o movimento Álvaro Ventura permaneceu entre Itajaí e Florianópolis, apoiando e estimulando os colegas estivadores na manutenção da greve. Em Florianópolis, o porto também parou, […]. As noticias das insurreições em Natal e Recife tornaram mais tenso o clima, forçando o governo federal a tomar providência em relação a Hercolino Cascardo.

[…] “Com a retirada do senhor Cascardo e a anulação da tabela por ele elaborada, provavelmente dentro de dias achar-se-á tudo normalizado, pois pelo senhor ministro do Trabalho foi mandado aplicar novamente a tabela antiga”, comentou o jornal Folha Nova (FN), de Joinville. (p. 47)

PERFIS DE ANARQUISTAS E COMUNISTAS

Entre os personagens que no final dos anos 20 e inicio da década de 30 participaram dos movimentos que preparavam o terreno para a criação (p. 47 ) do PCB catarinense, figura Hipólito Pereira. Nascido em 23 de julho de 1902, no Saco Grande, em Florianópolis, fundou sindicatos como o dos motoristas de praça e o dos empregos do comércio (e federação), com larga atuação na Liga e na União Operária. “Ele desenvolveu uma atuação marcante em relação aos trabalhadores. Especialista em legislação trabalhista, autodidata, estava com a casa sempre cheia de pessoas buscando orientações. Mais tarde foi vogal da Justiça do Trabalho e se especializou também em assuntos da previdência social”, recorda um de seus filhos, Nereu do Valle Pereira.

Em 1936, com o apoio dos comunistas que restaram da repressão desencadeada no ano anterior, foi candidato avulso à Câmera de Florianópolis. […] Na ocasião denunciou que “se não fossem os 52 votos que me anularam, estaria eleito”. […]

Tendo participado da Revolução de 1930, esteve algum tempo em Porto Alegre àquela época, ajudando na conspiração que levaria Getúlio ao poder, estabelecendo contatos com Trifino Correia, Germano Donner e os líderes revolucionários. […] De 1948 até 1982 foi juiz de paz, função que só nos últimos anos passou a ser remunerada. “Meu pai foi getulista convicto, até o final da vida. Depois que deixou o PCB nos anos 40, ingressou no PTB. Em 1935, ligado aos comunistas esteve preso por 24 horas no hospital da Polícia Militar. (p. 48) Mas ele nunca foi materialista. Ao contrário, como toda a família, era católico”, assinala Nereu. Morreu no dia sete de maio de 1985.

Sobre a presença de José Rodrigues da Fonseca ficaram poucos registros. Com intensa atuação no meio operário e sindical, trabalhava como cobrador da empresa de luz. “Ele tinha uma gráfica onde o grupo comunista imprimia alguns boletins, panfletos, tudo clandestinamente. E foi por isso que a reação passou a ficar de olho nele”, recorda Mimo, informando ainda que a “a militância dele começou em 1918, logo após a Revolução Russa, no ano anterior”. A gráfica ficava nas proximidades da catedral metropolitana, na rua Padre Miguelino, junto ao antigo Cine Roxy.

[…] Em consequência dos levantes de 1935, foi preso no ano seguinte e enviado ao Rio de Janeiro, onde ficou recolhido algum tempo, e lá morreu atropelado.

Fernando Willen, de origem alemã, foi outro comunista sobre quem restaram bem poucas informações. A rigor, ficou apenas que era proprietário da Casa Musical, localizada na rua João Pinto, 12, com que Oscar Ammon foi trabalhar logo que chegou a Florianópolis. Morava no bairro da Agronômica, onde na época se localizavam as chácaras dos mais abastados da cidade, que ali passavam boa parte do verão. Vegetariano, devorador de livros e sempre com o ouvido grudado no rádio ouvindo notícias, sofria de epilepsia. Ainda antes da Segunda Guerra foi vítima de um ataque da doença, bateu com a cabeça no meio-fio e faleceu em instantes.

Porfírio de Almeida Gonçalves nasceu em 27 maio de 1887. […] Fez curso de maquinista e entrou para a marinha mercante. […] “ele não se habituou aos rigores da vida marítima. Os regulamentos, a hierarquia acabaram afastando meu pai daquele trabalho. As perseguições e revoltas que presenciou a bordo o aproximaram das ideias anarquistas e socialistas”, conta o único filho, Norton Prates Gonçalves. (p. 49)

Espírito aventureiro, foi para a região do Contestado, no meio-Oeste catarinense, durante os conflitos armados de 1912-1916. Mais tarde, em 1924, quando ocorreram os levantes tenentistas no Rio Grande do Sul, tentou se incorporar às forças de Luís Carlos Prestes que havia iniciado a marcha. “Ele e o general Vieira da Rosa […] foram interceptados pelos legalistas […] no meio do caminho”, conta o filho. A tentativa lhe valeu alguns meses de prisão na Ilha Rasa, Rio de Janeiro.

[…] Era dono de uma vasta biblioteca com obras de sociologia, política, economia e principalmente história e literatura. “Lia demais. Não largava os livros.” Representante típico dos libertários daquele época, não ligava para as coisas materiais, morando sempre em casa alugada. A última foi na praia de Fora. Nos anos 30 se ligou à maçonaria. (p. 50) […]. No dia dois de abril de 1942, vítima de tifo na residência da praia de Fora, onde existiu a sede da Polícia Feminina do estado. Porfírio foi sepultado no cemitério do Itacorubi. O que restou da biblioteca está, até hoje, na casa de um parente que reside em Florianópolis.

Para nós não existia senão um rumo, que devíamos seguir para atingir nosso ideal: a Justiça Social. Mas se era difícil dizer onde se encontrava exatamente, nós sabíamos onde residia a injustiça social, que gera a miséria, a dor, o sofrimento, a morte (…) Daí que combatêssemos vigorosamente todas as causas que motivavam qualquer injustiça. Daí que, em nossos escritos, em nossas conferências, em nossos discursos de rua, em nossas afirmações públicas, fizéssemos alarde e defendêssemos subjetivamente todas as boas causas, tanto nacionais como internacionais, pois encarávamos os problemas da vida sob o ponto de vista humano, que não reconhece mares e fronteiras e salta-se sobre eles como salta, do passado ao futuro, a esperança humana.” (E. Dias) (p. 51)

***

O DEPUTADO VENTURA
O COLT 44.144 DE DONA ODETE

Assim que saiu às ruas a edição de A Gazeta (AG) do dia 28 de agosto de 1934, alguém comprou um exemplar e foi correndo a uma residência na rua Padre Roma, esquina com Francisco Tolentino. O sujeito encontrou o estivador Álvaro Ventura já acordado, realizando serviços na casa, enquanto a mulher Eliza servia o café da manhã para o filho de oito anos, João. Ventura leu a manchete principal: “Assassinado por uma mulher o deputado classista catarinense A Pennaforte”.

Como primeiro suplente do falecido, ele deveria assumir, em breve, e teve certeza disso ao receber telegrama da Câmara dos Deputados chamando-o ao Rio de Janeiro. (p. 53)

[…]

Entre os discursos feitos na Câmara em homenagem a Pennaforte, um merece ser citado, o do deputado Adolfo Konder: “De humilde trabalhador da estiva […] foi ele o elo a unir as atividades conjugadas que desde então marcharam entendidas, no sentido de uma cooperação sincera e eficaz. Graças à colaboração desse pranteado amigo, durante o meu governo não se registrou uma só greve por motivo de desentendimento entre empregado e empregador”. (OE – 1.9.1934)

– Um pelego, isto sim! – comentou Ventura, já no Rio de Janeiro, ao tomar conhecimento do discurso. Ele se instalou num quarto de pensão da rua da Carioca e ali permaneceu enquanto durou o mandato, até abril do ano seguinte, com a mulher e o filho de oito anos.

A campanha de Ventura para se eleger deputado classista foi franciscana. “Um trabalho bem limitado”, lembra Mimo. “Não havia da parte dos trabalhadores daquela época uma ambição por ter representante na Câmara. Não havia. Então não houve uma grande campanha, que foi mais interna, nos sindicatos. Como o Álvaro já era conhecido no estado inteiro, ficou mais fácil.” (Mimo)

A tão esperada Constituinte reuni-se, afinal, no palácio Tiradentes, no Rio de Janeiro, em novembro de 1933. Fora escolhida por um eleitorado de quase um milhão e meio de habitantes, inclusive mulheres e maiores de 18 anos. (p. 54) Sua comissão constitucional preliminar, presidida por Afrânio de Melo Franco, rejeitou o esquema de representação classista proposto por Vargas e segundo o qual 40 deputados seriam escolhidos por grupos profissionais independentemente dos distritos eleitorais. Mas Vargas – que sabia que tais deputados lhe seriam fiéis e, portanto, serviriam de contrapeso ao poderio eleitoral dos estados maiores – anulou essa decisão. Os votantes elegeram 214 deputados para as bancadas estaduais mais 40 deputados classistas, cuja seleção foi acompanhada de perto pelo ministro da Justiça: 18 representavam os empregadores e 17 os empregados; três as profissões liberais; dois o funcionalismo público.” (Levine)

APARTES DE MENTECAPTO

E Dona Eliza engomou com cuidado o terno branco, passou com ferro aquecido em brasa e o colocou delicadamente num cabide. Depois fez a mesma coisa com a camisa, creme, nova como o paletó e a calça. A gravata borboleta foi escovada e ajeitada com cuidado. Ela já não havia gostado daquele homem que tinha procurado bem cedo o marido. Era um tipo esquisito. Entregara um maço de papéis que ele colocou no bolso, se trancou no quarto e começou a ler.

Não queria agora que Ventura fosse desarrumado logo no primeiro dia como deputado classista na Câmara. Desajeitado, Ventura vestiu o paletó, que ficou apertado nos ombros, ajeitou com uma pasta o cabelo rento no couro, colocou os papéis no bolso e foi fazer seu primeiro discurso.

O documento que ele carregava era um manuscrito com as posições do Partido Comunista Brasileiro frente às eleições de outubro próximo. Foi redigido durante a I Conferência Nacional do Partido. Ventura entrou no prédio da Câmara e foi direto ao plenário. Sentou na cadeira que lhe estava reservada e aguardou a vez de falar.

Quando subiu à tribuna, viu a distância os deputados Aarão Rebelo, o joinvillense Carlos Gomes de Oliveira; o ex-governador Adolfo Konder e Cândido Ramos. Talvez tivesse visto Nereu. Tirou do bolso do paletó o maço de papéis, cumpriu as formalidades legislativas e começou a ler. “Verifica-se atualmente em todo o país uma grande mobilização eleitoral. Os partidos e grupos feudal-burgueses, tantos os que estão no poder como os de oposição, fazem por toda parte intensa propaganda de seus programas e candidatos tapeadores”, começou, sob os olhares atentos dos colegas deputados. (p. 55)

[CONTINUAREI LOGO MAIS]

FONTES
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ver também: http://daquinarede.com.br/2012/04/as-origens-de-alvaro-e-dos-ventura/

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