Verde folha…

[qua] 25 de outubro de 2006

i

meu espírito está cansado,
e meus pés doem por andarem atrás de pensamentos distantes.

meu corpo repulsa o ser, e vou indo para o fim..

Se é hora de partires;
e se é assim, com dor,
com mágoa, com angústia;
O que posso eu?
Longe do corpo abandono este ao cego andar
e a mente longe da realidade deste instante
querendo, tentando absurdamente tocar algo sólido
talvez um sonho, talvez uma promessa…

Quero vomitar sangue e lágrimas
quero vomitar meu corpo, meu agora,
meu passado e minha história..
E não sei se o corpo aguentará mais um passo?
se não cairá frio, imóvel… triste
como todo o fim…

ii

ontem cantando aos teus ouvidos mar negro disse o poeta «fuy tuyo, fueste mía, que más… Juntos hicimos un recodo el la ruta donde el amor pasó…» Meu peito gela, meus olhos estão mareados,
meu pensamento é triste e cego – cego
porque não vê sol, porque não vê noite,
só um vazio, e triste
porque sou triste, sempre triste…

Todas as palavras que o mar brandou o dia todo ficam fundas…
há sempre verdade!

Se partes… Digo vai, mas vai devagar…
fica bem, deixando a água levar…
deixa o vento levar
que eu já não sei se o meu barco segue,
ou chegou a hora de afundar…

Fico!
O Passado não se apaga, se guarda
e se recorda ou se esquece, mas não se apaga…

«Eu vou passando, pela grama verde, pela rua cheia de gente
pela dor que sou agora. Pelo amor que tenho..

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