tristezura!

[sex] 1 de novembro de 2002

Ah!! poeta…
Amar

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
Carlos Drummond de Andrade
——————————


Já, então, não sei… Se, apenas, que não é de um tempo atrás de onde tudo era apenas alguma coisa como o limite de algo extremo;

Suponho, talvez, sejam estes olhos cansados, estas olheiras disfarçadas – Sempre disfarçando tudo… E o fato, este então, é, e nem sei, porque estou tão cansado, tanto assim, que estou de saco cheio de mim e d’um monte de coisas, que estou como antes perdido entre coisas encontradas… Entre coisas que não são findas e que entretanto vivem a buscar um qualquer…………… . . . . . . fim é outra, longa, estória, que não necessariamente precisa ter fim assim…

“Palavras são erros e os erros são seus…” Renato Russo

%d blogueiros gostam disto: