que angústia desesperada…

[sex] 21 de setembro de 2001

Que angústia desesperada
Minha fé parece cansada
E nada, nada mais me acalma
Você pisou na flor
E esqueceu do espinho
Virou do avesso sem saber
Os nossos sentidos
Até aonde existe o amor
E suportar suas feridas
Até aonde existe a dor
De quem assume esta sina
Viver é um vôo pra felicidade
E a voz da verdade
Nunca fez caridade
E todo dia ao acordar
Eu vou querer saber
Que pedaço é esse que me falta
Que não me deixa esquecer
A dor, o pranto nos olhos
A fúria do seu olhar
Apesar de todo desencanto
Eu não desisto de amar
Não vai haver mais dor pra mim
Daqui por diante vai ter que ser assim
Não vai haver mais dor pra mim
Daqui por diante vai ter que ser assim
Vai ter que ser assim…
Vai ter de ser…

Daqui por Diante [Frejat.GutoGoffi/Barão Vermelho]


ouvindo janis joplin. eu sempre fantasie estes momentos e agora me deparo com algo… é real. é real mesmo?… coisas estranhas… não. tudo está normal. (isto é apavorante). “até no absoluto silêncio ainda há som. e na completa ausência… ainda há a tua presença.ainda há…”

há muito tempo, sim, que não te escrevo.
ficaram velhas todas as notícias.
eu mesmo envelheci. olha, em relevo,
estes sinais em mim, não das carícias
(tão leves) que fazias no meu rosto:
são golpes, são espinhos, são lembranças
da vida a teu menino, que ao sol-posto
perde a sabedoria das crianças.
a falta que me fazes não é tanto
à hora de dormir, quando dizias
“deus te abençõe”, e a noite abria em sonho.
é quando, ao despertar, revejo a um canto
a noite acumulada de meus dias,
e sinto que estou vivo, e que não sonho.

Carta (Carlos Drummond de Andrade)

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