exercício sobre os fragmentos nos olhos

[ter] 18 de setembro de 2001

Parte 1.
ela passa,
os olhos em chamas,
meu ar fica seco,
estorricado,
ela não olha pra mim
eu não estou ali
eu não estou em lugar algum

e de nossos peitos
verte um esturro

meus olhos estão em chamas.

Parte 2.
acompanho o silêncio
à tarde pelas montanhas…
(de concreto armado).

onde há planos e plantas,
vidas planejadas, e vasos
sanitários.

Parte 3. O vale é um rastro de asfalto… Onde dragões cruzam à velocidade da luz. Eu morrerei de frio no gelo indiferente das pedras perfeitas e dos sexos expostos. Num mosaico azul-laranja e pelos vermelhos. Há em cada minuto um silêncio qual sapato de duas cores ao lado de pés descalços. E as crianças de setenta três anos de mãos dadas e coração único são tempestades… Ainda há primaveras nos teus olhos.
18 set. 2001

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