síndrome das pernas inquietas

[ter] 27 de junho de 2017

Bateria baixa. 10%. 22h e estou exausto. Pensando em dormir. Acordei cedo e ainda não terminei de avaliar os trabalhos…. Amanha será longo o dia. Minha cabeça dói. Ontem estava eufórico. Hoje triste e irritado. Essa história de construir autobiografias me trouxe outro olhar sobre vários alunos. Entre as poucas conversas do dia… Conversava hoje com um estudante sobre terapia, contava ele sobre suas angústias. Eu preciso também. E a minha louça toda pra lavar. Uma casa por fazer… Minha solidão e horas de burocracias. Não sou o professor que deveria e gostaria de ser. 8%. última baldeação. Penso em raspar o cabelo, a barba… Quem sabe eu mude. Me sinto patético. Sinto dor.  23h… Em casa. Vazio. Falta música. 

Sobrou apenas esse tic de sorrir, piscar e dizer que tudo está bem. E as minhas pernas inquietas, enquanto mantenho meu corpo como uma pedra…


disciplina zero

[dom] 25 de junho de 2017

é assim. há dias em que a gente ganha. noutros a gente perde. perdi meu dia… minha semana. apenas bati o ponto… burocraticamente cumpri a tabela. não houve paixão ou encantamento.

é difícil segurar a onda. disciplina zero. tédio monstro. angústia cotidiana. tudo ficou pra amanhã.

mas logo mais será um dia melhor.


jeder für sich und gott gegen alle

[seg] 19 de junho de 2017

Referências… De um dia longo. As pedras dormem. Ninguém as equilibra. O frio da manhã me corta a cara. Eu me atraso pra vida. Dia pós dia cogito dexistir… Essa dor do lado esquerdo deforma meu rosto. Os ossos se movimentam. O corpo degenera por dentro. Falta pouco pra noite chegar. Mais um dia inteiro. Encerrou. O sal áspero e a espuma bruta lambem o vidro. Me envolvem como um manto. Sou a ilusão que me mira no reflexo da noite. A solidão louca dos barcos nos dias de ressaca. A solidão do homem que aprendeu poucas palavras e ainda não sabe poesia.

Ao fundo a rouquidão do mar agitado. A alegria fria das árvores em movimento. E no oco de cá dentro… O eco doutra língua: Guten morgen, Маяковский


sonata n° 3 de beethoven

[dom] 18 de junho de 2017

O feriado passou e eu não corri nada. Será uma semana pesada.

Tampouco corrigi qualquer atividade da estudantada.. Será uma semana atropelada.


das chuvas de junho

[seg] 5 de junho de 2017

Escrevi antes de te ver… Inspirado pelo curta e pelas obras de anish kapoor. Escrevi depois, mas mesmo depois ainda era antes de saber de seu novo endereço… De sua gramática, de suas canções… Você me mantém em carne viva. Saber que tens alguém… No fundo é intuir que alguém te cuida como jamais pude, sempre exausto em minha loucura.

Eu preciso não pensar demais. Estou aqui fritando por pensar demais.

 2h11 não consigo dormir… Tenho aula o dia inteiro… Preciso estar desperto as 5h30. Mais uma semana exausto. 

Até alguns dias atrás eu andava cortejando a morte… Não faz duas semanas isso. Estava submerso na rotina de pensamentos tristes e mórbidos. Me peguei sentindo raiva das pessoas… E tive um estalo… É preciso lutar. A vida está uma bosta, mas estou vivo… Preciso falar sobre isso, preciso de apoio, preciso fazer terapia… Sei que há um lapso enorme de tempo entre pensar isso e ir. Mas entre o cara que jogou a toalha e o que está apanhado há uma diferença substancial. 

E agora estou numa ansiedade monstro e amanhã numa tristeza mórbida… É preciso dosar essa porra… Sem cair na indiferença.

Me sinto castrado. Impotente. Estou nessa prisão há seis anos… Sete… 

Mas olhando atentamente… Viver nunca foi fácil. E viver só é como estar sem estar…  É estar desatado. A trama me alimenta… Os desenlaces me matam. Eu quero viver… Tecer uma trama…. Aprender a viver com esse medo. só por hoje… 

3h32  corpo cansou… Digitar nesse celular é enervante…  A chuva não para. Preciso aprender a falar/ler em inglês. 


o muro – the reflect an intimate part of the red

[sáb] 3 de junho de 2017

Não se mate. Vocês não é/são confusos. Passa por reformas. E a vida como um emaranhado de clichês… Esperar, respirar… Encontrar a ponta solta deste emaranhado, seguir a linha… Desfazer os muros, Ficar nu. Atingir a parte íntima do vermelho… 


rrreconfiguranndoo

[qua] 31 de maio de 2017

em processo de reconfiguração…

pronto.  vamos morrer… mas há a possibilidade de tentar fazer bem feito. de fazer sentido. e não se deixar vencer pelo próprio medo. tática de guerrilha, combater todo e qualquer pensamento negativo… acreditar em si assim como os outros acreditam


de jeux et novalistés

[sáb] 20 de maio de 2017

Há rachaduras. Há frestas. Há risos. Há brechas.

Entre O fato e o fado, há os dados…

O tempo, o corpo e a queda. E na memória do futuro, apenas palavras dispersas. Não há sentido.

Perdido. Nenhum poema vai sair. Ando a pensar sobre a ansiedade. E a tristeza cotidiana. E neste exílio. E a dificuldade em escrever (concreta e metafórica…) me encerra aqui, do outro lado da tela.

 


na medida do impossível tá dando pra se viver

[ter] 16 de maio de 2017

Uma colagem e um lamento

A colagem

“De resto, há de se entender o nosso 1nundo, o do pesquisador, co1110 se1Jdo ocidental, cons-

Lituído n1ini1na1nente pela sobreposição de duas subculturas: a brasileira,
no caso de todos nós en1 particular; e a antropológica, aquela na qual fo-
n1os treinados co1T10 antropólogos e/ou cientistas sociais. E é o confronto
entre esses dois rnundos que constitui o contexto no qual ocorre a entre-
vista. É, portanto, nu111 contexto essencialrnente problemático que te1n lu-
gar o nosso Ouvir. Co1no poderemos, então, questionar as possibilidades
da entrevista nessas condições tão delicadas?
Penso que esse questiona1nento começa cotn a pergunta sobre qual a
natureza da relação entre entrevistador e entrevistado. Sabe1nos que há tnna
longa e arraigada tradição na literatura etnológ ica sobre a relação. Se to-
rnannos a clássica obra de Mali nowski como referência, vemos como essa
tradição se consolida e, pratica1nente, trivializa-se na realização da entrevis-
ta. No ato de ouvir o “infonnante”, o etnólogo exerce u111 “poder” extraor-
dinário sobre o 1nes1no, ainda que ele pretenda se posicionar co1110 sendo o
observador 1nais neutro possível, co1no quer o objeti visn10 mais radical. Esse
poder, subjacente às rei ações hu tTianas – que autores co1110 Foucau I t j a-
1nais se cansara1T1 de denunciar-, j á na relação pesquisador/informante vai
dese111penhar u1na função profunda1nente empobrecedora do ato cognitivo:
as perguntas, feitas e1T1 busca de respostas pontuais lado a lado da autoridade
de quern as faz ( co1n ou se1n autoritaris1no ), cria1n un1 campo ilusório de
interação. A rigor, não há verdadeira interação entre nativo e pesquisador ,
porquanto na utilização daquele co1no infonnante o etnólogo não cria con-
dições de efetivo “diálogo”. A relação não é dialógica. Ao passo que, trans-
fonnando esse infonnante e1n “interlocutor”, uma nova 111oda1idade de rela-
ciona1T1en to pode ( e deve) ter I ugar. 3
Essa relação dialógica, cujas conseqüências episte1nológicas, todavia,
não cabe1n aqui desenvolver, guarda pelo 1nenos u1na grande superiori-
dade sobre os procedi1nentos tradic ionais de entrevist”

O lamento

O mais difícil nesse momento é saber o que é real é o que é imaginário. Porque para questões reais ações concretas devem ser medidas. Já para as imaginárias… não morre basta.

Ontem foi como levar várias ondas pesadas na cabeça. Quando tentei respirar, uma, duas…. avalanches de angústia, males entendidos, sofrimentos.

Você cala para não explodir. Você implode por dentro. E todo edifício visto por fora é um amontoado de destroços por dentro.

Mas como diz a canção “Na medida do impossível tá dando pra se viver”.


letter from a region of my mind

[dom] 14 de maio de 2017

Ler letter from a region of my mind. O que escrevi antes se perdeu… Era algo sobre dificuldade de escrever. Tela do celular quebrada. Sem computador. Havia algo sobre a ilusão de que sem PC eu iria fazer outras coisas, me organizar, por tudo em dia… E tudo que sinto é uma vontade, quase mórbida, de apenas dormir.

Havia menção ao poema em linha reta de Fernando Pessoa… Memórias do subsolo…

Mas não há ânimo. Apenas esse estado de silêncio e escuridão. E essa dificuldade de respirar…


…-

[ter] 9 de maio de 2017

Concisão. Ontem… Do papo e da sensação: mais um dia dolorido (corpo e mente). Mais um dia perdido…

De hoje, sem tempo pra respirar. Como se a vida fosse cumprir horários.

Pra quê tudo isso? (Opss… Não há tempo para pensar… Há perigo na esquina, posso perder o trem…


insista… persista…

[qui] 4 de maio de 2017

Nuestra primera intención era hacer en colores… Pero. As coisas são mais complicadas. Meu computador morreu. Derrubei o celular e a tela trincou em mil pedaços. Mudaram os horários das aulas na escola e o meu horário ficou uma bosta…

Mas ainda consigo escrever.

E agora José?
A lista das coisas que não saíram como esperado é grande. Não cabem nessa página. Fazer o quê josé… zé… Wake up dead man. E como dizia a pichação na escola, ontem, “estude, persista, não desista”.

Se adapte. As coisas vão se encaixar.

 


a minha vida de rascunhos: ou o que era para ser da solitude à solidão

[qua] 3 de maio de 2017

4h15. Acordei. A casa parece viva… As luzes acessas… O computador ligado… A janela abertaNo meu corpo a roupa do dia anterior e na boca o gosto da comida de ontem. Como vim parar aqui? Não sei. A mente exausta desligou o corpo. Tenho me sentido cansado, quase de forma ininterrupta, nos últimos tempos.

Quem sabe um chá de canela? Quem sabe transcrever as notas que fiz no caderno, ontem? Que sabe te escrever? Ou publicar o rascunho de anteontem? Quem sabe pesquisar algo pra aula de hoje?

O preço do amanhã…. Alguma crítica ou sugestão pedagógica. O ideal era passar todo filme é ter mais alguns dias para costurar as ideias. Sei o que quero visitar… Mas o itinerário não está claro. E isso fará diferença lá na frente.

 

5h59. Reescrevi, perdendo algumas partes, porque, como meu corpo, o PC tem se desligado sozinho. Viver nesse mundo tem sido over para nos. Desliguei tudo, quase tudo… Estou aqui, no telefone, digitando isto.

11h45. on pc. que liga e desliga. acordei agora. exausto. sair correndo. muito chato tudo isso.

e sobre o título… escrever o que foi anotado.

 


as notas do dia (do papier ao conselho)

[ter] 2 de maio de 2017
anoto no papier.
terça em modo GAME OVER…
 
em modo repetição: dos colores blanco y negro. drexler e moska.
 
1h00. conclui todas as turmas do primeiro bimestre do jacó anderle.
 
agora falta… corrigir provas e redações das duas turmas de terceiros do apóstolo, e digitar as notas. expectativa de duas horas para essa função.listar os conteúdos e digitar as notas das três turmas de segundo ano. previsão de uma hora nessa função.
refazer a listagem dos conteúdos, criar as avaliações e digitar as notas dos cinco primeiros anos. mais um hora e meia…. 
2h49 e estou indo para a 104…
3h56. acabei todos os primeiros.
5h51 terminei os segundos.
agora só falta corrigir as provas dos terceiros e digitar as notas. e dormir. e te responder. e não esquecer de pagar as contas: iptu, cartão, luz. agendar dentista, urgente. quarta-feira ir no posto. comprar ração para os gatos. e granola pra mim. e sentar para pensar bem as atividades do segundo bimestre. comprar caderno novo e registrar tudo. nunca mais deixar assim.
***
POST PUBLICO, MAS EM MODO DE EDIÇÃO AINDA…
EDITAR AQUI E TRANSCREVER AS ANOTAÇÕES FEITAS NO CADERNO (TARDE DE AULAS E NOITE DE CONSELHO DE CLASSE)
PS: A GRANDE IRONIA DO DIA – TRABALHAR COM O FILME IN TIME, TRADUZIDO PARA O PORTUGUÊS COMO O PREÇO DO AMANHÃ. E SER UM DIA QUE TUDO QUE FALTOU FOI TEMPO… TEMPO PARA SER. SEGUNDA, TERÇA…

gallos, noches y quintales

[seg] 1 de maio de 2017

. palavras desconectadas, lamento… um canto torto.

***

não terminei o que deveria ter terminado sábado. eu não fiz nada. qualquer coisa pesa demais. me sinto esmagado.

***

tentei traduzir, porque não encontrei a tradução. há alguns erros, mas que fique ai, para registro e para quando tiver tempo e estiver mais afiado:

No cante victoria tan trempano, no. / No mande flores al lugar de lo enemigo, / las lágrimas de los jóvenes / Son fuertes como un secreto: / Se puede resucitar un mal antiguo. // Y todo debería haber cambiado, sí, / Por el trabajo que hicimos tú y yo. / Mas el dinero es cruel y un viento fuerte / llevo los amigos muy lejos de las marchas y de las ruedas de boliche / y aquella esperanza de jóvenes no se cumplio, / y aquella esperanza de jóvenes no se cumplio, no, no. // Nuestra cancion aun siegue siendo nuestro modo de vivir / Y el destino se ha hecho siempre por mi mano. / Te vi, converse con amigos alrededor de mi mesa / sin dejar que a mi cigarro lo apagara la tristeza. / – Siempre día de ironia en mi corazón. / – Siempre día de ironia en mi corazón. // Estuvo conversando com mi novia e dije así: / – Dificil de saber qué va a pasar. / Doi gracias a la vida / A lo enemigo lo conozco ./ Sé su nombre, su ……., se donde vive, su residencia / La voz resiste. El canto insiste: Usted escucharan / La voz resiste. El canto insiste: que viven lo verá¹

***

ESCREVER MAIS AQUI. EDITAR.

_________________________________________________________notas de rodapé.

¹O Disco Eldorado foi gravado em 1992 com Eduardo Larbanois e Mario Carrero, dois grandes músicos da Música Popular Uruguaia.

01 – La vida es sueño
02 – 1992
03 – No lleve flores
04 – Donde esta mi corazón
05 – Gallos, noches y quintales
06 – La hora del almuerzo
07 – Como nuestros padres
08 – Ouro de tolo
09 – Ploft
10 – Beijo molhado
11 – Tudo outra vez
12 – Comentário a respeito de Jhon
13 – A palo seco
14 – Apenaz um rapaz latino americano

***

e quanto mais ouço belchior…

mas minha dor fica grave…

Eu tenho medo e medo está por fora / O medo anda por dentro do teu coração / Eu tenho medo de que chegue a hora / Em que eu precise entrar no avião / Eu tenho medo de abrir a porta / Que dá pro sertão da minha solidão / Apertar o botão: cidade morta / Placa torta indicando a contramão / Faca de ponta e meu punhal que corta / E o fantasma escondido no porão / Medo, medo. medo, medo, medo, medo. // Pequeno Mapa do Tempo // Belchior

 


reengenharia

[dom] 30 de abril de 2017

aqui fazendo anotações nas avaliações do estudantes… e as músicas no aleatório… de repente… reengenharia, itamar assumpção, genial.

Reengenharia – Itamar Assumpção (Música do disco “Pretobras – Por que não pensei nisso antes”, de 1998)

«Meu amor eu tive uma idéia genial / Que tal inserir nosso lar na economia global / É muito simples não tem filosofia / É só fazer a tal reengenharia / No mundo todo vai que é uma beleza / Por que não fazer igualzinho lá em casa, hein princesa / É só jogar no lixo o que não precisa / A tua mãe, por exemplo, a gente terceiriza / Não se preocupe com a culinária / Agora ficou chique comer porcaria / Ter urticária o que que há de mal afinal / É só um bocadinho de mesquinharia / Meu bem não vejo a hora de fazer economia de escala / O mala do nosso vizinho pegamos botamos fora / A mulher dele a gente incorpora / Vamos acabar com todo desperdício / Afinal qual é o mal é só a beira do precipício / Os amigos a gente elimina / E traz só de brinquedinho baratinho lá da China / Vamos criar um lar bem competitivo / Um lar que seja voltado só para um objetivo / Ente o ativo e o passivo / Vamos ver qual de nós dois ainda continua vivo / Vamos cair de boca no pragmatismo / Afinal qual é o mal, é só a beira do abismo / Querida vamos acabar com todo sossego / Dar um basta nos sentimentos e nos momentos de aconchego / Pulmão otimizado coração desativado no seguro desemprego / Nosso lar vai virar uma operação enxuta / Com muito mais inveja, com muito mais disputa / Afinal qual é o mal em ser só um tiquinho filho da puta / Vamos concentrar nossa vocação meu bem / Ficar querendo o que a gente não tem / Oh! Meu amor eu quero detonar o quarteirão o mundo o bairro / Só pra comprar nosso segundo carro / Oh! Meu amor quando tudo der certo / Ficaremos só nós dois num lindo deserto / Vai ser legal ser moderno aqui no meio do inferno / Poderemos gravar tudo isso em vídeo / Afinal qual é o mal é só um pouquinho de suicídio / Teu irmão eu aniquilo teu pai jogamos no asilo / É, só vamos comer por quilo»

e ao ligar o computador e adentrar a rede… todo mundo me dizendo que belchior morreu.

Belchior nos deixou.
Esse que foi um cantor e pensador da realidade brasileira, comprometido com o povo pobre e massacrado pelo capital, porque “amar e mudar as coisas nos interessa mais”.

Essa entrevista é preciosa: Belchior – MPB Especial (02/10/1974)

Durante a trabalhosa tentativa de emplacar seu primeiro LP, umas das várias aparições de Belchior foi no programa intimista “MPB Especial”, da TV Cultura, em 02 de Outubro de 1974. Nele, um Belchior ainda muito novo, aberto e relativamente zangado (como no depoimento ao fim do programa), se apresentava ao público através de um diálogo autobiográfico, provando que o novo sempre vem. Imagem e som restaurados. 720p e 60fps. TV Cultura, 1974.

 


monsters against empire

[sáb] 29 de abril de 2017

Meta do dia… finalizar correções, e digitar notas. encerrar o prof. online.

mas uma ansiedade absurda… não consigo sentar e terminar. procrastinação nível assustador.

tenho andado um bocado triste nas ultimas semanas.

***

das citações:

“Como se comportam nessa companhia os personagens de Walser? E de onde vêm eles? Sabemos de onde vem o “homem que não servia para nada”. Ele vem dos bosques e vales da Alemanha romântica. O Zundelfrieder vem da pequena burguesia das cidades renanas, na virada do século. Os personagens de Hamsun vêm do mundo primitivo dos fjords: homens que se tornam andarilhos por nostalgia. E os de Walser? Talvez das montanhas de Glarner? Dos prados de Appenzel, onde nasceu? Não. Eles vêm da noite, quando ela está mais escura, uma noite veneziana, se se quiser, iluminada pelos precários lampiões da esperança, com um certo brilho festivo no olhar, mas confusos e tristes a ponto de chorar. Seu choro é prosa. O soluço é a melodia das tagarelices de Walser. O soluço nos mostra de onde vêm os seus amores. Eles vêm da loucura, e de nenhum outro lugar. São personagens que têm a loucura atrás de si, e por isso sobrevivem numa superficialidade tão despedaçadora, tão desumana tão imperturbável. Podemos resumir numa palavra tudo o que neles se traduz em alegria e inquietação: todos eles estão curados.”

Walter Benjamin, “Robert Walser” In: Mágia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura, vol. I, 1994 [1929], p. 52.

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***

Domsch, Sebastian: “Monsters against Empire. The Politics and Poetics of Neo-Victorian Metafiction in The League of Extraordinary Gentlemen.” In: Marie-Luise Kohlke und Christian Gutleben (Hrsg.): Neo-Victorian Gothic. Horror, Violence and Degeneration in the Re-Imagined Nineteenth Century. (Neo-Victorian Series, 3.) Amsterdam [etc.]: Rodopi, 2012, S. 97–122.

***

Canal EntrePlanos. um dos melhores canais do youtube. Max Valarezo: Roteiro, direção e apresentação


greve geral

[sex] 28 de abril de 2017

#GreveGeral


a morte do velho garapuvu e outras notas aleatórias de um dia dolorido

[ter] 25 de abril de 2017

notas curtas e aleatórias.

nota #1 um exercício poético sobre um velho garapuvu arrancado da terra e maré que avança sobre a areia e as rochas.

a maré é cheia / a árvore desabou / sinto-me / raízes pra fora / canoa sobre rochas / não há vento / não há areia / não há como respirar // e a rainha do mar vem buscar / a velha árvore morta / futura canoa ainda sobre a terra… / aguardando / germinando / escavando / o homem a ser navegado.

nota #2 pensamentos da tarde. observe a dor alheia, para não enlouquecer com a sua própria dor. observe a tua dor no tempo, para não enlouquecer aqui e agora.

nota #3 dor absurda na cabeça pela tarde. dor aguda no peito pela noite.

nota #4 cuidado para não caires naquela sensação de odiar todos e tudo o tempo todo. cuidado.

nota #5 esqueci meu guarda-chuva no ônibus/linha 267.

nota #6 chá de camomila e refresco de maracujá. só assim pra aguentar a dor de existir. só assim para respirar.


só, somente só.

[seg] 24 de abril de 2017

 

“Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só!

só porque passei 5 aulas (a noite toda) com esse refrão grudado na cabeça… e não conseguia lembrar do restante da música… nem de quem era. até que em um momento de lucidez… desbloquei e reconheci… moraes moreira… novos baianos… e ai…

Por minha cabeça não passava…
Só! Somente Só!
Assim vou lhe chamar
Assim você vai ser

ps: aleatoriedades… talvez porque dias atrás eu tenha passado um tanto perdido na bicondicionalidade lógica do “se e somente se”.


se e somente se

[sáb] 22 de abril de 2017

se somente se…

p ↔ q
(p → q ) e (q → p)
p se e somente se q.
p se e só se q.
se p então q e se q então p.
p somente se q e q somente se p.
p é condição suficiente para q e q é condição suficiente para p.
q é condição necessária para p e p é condição necessária para q.
todo p é q e todo q é p.
todo p é q e reciprocamente.

 


das coisas que pensei ontem, ou… sobre o médico e o monstro.

[qui] 20 de abril de 2017

sabe quando você começa
a entrar para dentro de si
como se tentesse encontrar
o fundo da caverna
e você se pega indo
até onde já não há mais luz natural
e a única coisa que alumia
é essa luzinha interior.

o caminho da escuridão é perigoso.do

é preciso respirar fundo, para não entrar em desespero.

***
transgressões.
a coisa mais dificil pra mim é a transgressão
sou cheio de cicatrizes pelos cortes da adestração
cada ato de ruptura, cada ato de fuga,
cada ato de subversão, cada ato de confrontação
vem acompanhado de um dor bestial¹
a dor do bicho domado,
do homem feito menos homem
do humano disciplinado, coisificado…

hoje faltei aos compromissos. precisava muito de mim.
as notas, o estado, os outros, essa vida de bosta que se foda.

**

de hoje:
velhos pensamentos….
é preciso acreditar no que você está fazendo
porque só assim os outros acreditarão.

isso eu pensei ano passado. essas 40 horas em sala me cansam. 20 até vai. mas quarenta… mas com vinte não pago as contas, não me aposento…

mas calma… talvez este não seja o único caminho.

veja essas inflamações no seu corpo. uma fortuna para pagar, risco de morte… é, o tédio mata. o estresse mata aos poucos e pode matar de uma hora para outra. e você como uma mula de carga desiste do amor, da vida, dos sonhos… desiste de arriscar-se e encontrar todas as confusões de sentimentos. você se resigna a cumprir uma função, a dar o melhor que tens nessa função, mas sempre falta algo de ti ali… você se acostuma demais com pouco.

**

lá, quando criança, ou garoto, quantas vezes você pensou na morte. na sua morte… quantas vezes você desejou. você quase foi algumas vezes… e depois mais velhos, quantas vezes você voltou nesse caminho. não é uma opção lógica. mas talvez a falta de ferramentas para lidar com situações. de tempos em tempos me vejo nesses buracos, sem saber lidar… racionalmente sei, mas emocionalmente preso não sei sair e fazer o que a razão diz que deve ser feito. é tipo o pânico que tenho de cobra, e que outras pessoas tem… se você dominar as ferramentas e técnicas, se você lidar corretamente com a situação, tudo é inofensivo. mas se você entra em pânico… ratos se tornam elefantes. coisas simples se arrastam e se tornam monstruosamente incompreensíveis e inatingíveis.

eu preciso de terapia. preciso voltar. sozinho tá foda. ando querendo fugir dia desses…

**

pensamento a. ficar só me deixaria imune ao sofrimento (o tempo todo ando idealizando o mundo e a mim mesmo) pensamento b. falácia (a concretude do mundo, os outros e seus sentimentos, as relações, tudo continua ali, como um vendaval soprando sobre o teu castelo de cartas), e é preciso lidar com o sofrimento como algo inevitável. ele continua ali, com ou sem companhias. ele é parte significativa de você. vocé o médico e você é o monstro

**

¹ sou eu literalmente, ou simbolicamente, arrancando parte de mim – desse homem manso. mas as podas são necessárias para brotar coisa nova.

 

 


tudo é sistemático

[ter] 18 de abril de 2017

notas de terça-feira. estou destruido. ps: é apenas a manhã de uma terça-feira.

odeio esses dias em que não se pode respirar.

tudo é sistemático, os horários, das datas, as cobranças, o alarme do dispertador…  os pensamentos obsessivos… a compulsão. mas teu corpo não. tampouco o tempo para isto aqui. escrever é uma fuga, a unica fuga possível.

a ideia de…

e eis que o sistema volta te engolir e teus pensamentos estão arquitetando os minutos para isto e para aquilo e há as zonas esquecidas, aqueles documentos perdidos… aquilo que não se dará contaa: s suas pequenas mortes na guerra, os corpos que ficam, seminus, semicorpos… destroçados. tudo é sistemático. o entulho, os destroços, os estilhaços e cacos do tempo… até tua dificuldade de respirar. tua falta de tempo… tudo é sistemático.

e do fragmento de leitura desta manhã

“augusto, que tolice augusto. mas o homem é assim. ele ficou perturbado com as palavras de alice. incomodava-o aquelas vozes que lhe mostravam o óbvio ou que traziam algo novo, estranho, desconfortável para a narrativa. fatos, ou discursos, que contradiziam a sua autoimagem… ”

 

 

 

 

 


campo minado

[seg] 17 de abril de 2017

sinto como se houvesse uma bomba prestes a explodir.

queria que essa semana voasse… queria que essa semana passasse em slow motion. pra terminar, pra encaminhar… para fazer as coisas acontecerem. e rápido, para respirar.


efeito werther

[sáb] 15 de abril de 2017

Como isto tem o caráter de um bloco de notas. Segue abaixo, mais um nota, copiada e cola aqui. A autoria de é de Allan Kenji.

«Em 2000, a OMS publicou um documento orientando jornalistas sobre como noticiar os suicídios. Esse documento é intitulado “Prevenir o Suicídio: um guia para profissionais da mídia” (OMS, Genebra, 2000). Desde então, tornou-se senso comum que qualquer tratamento não eufemista para o suicídio seria responsável pelo “efeito Werther”.

O “efeito Werther” seria a imitação de uma cena suicida no interior de uma narrativa romantizada sobre esse tipo de morte.

A expressão foi cunhada por David Phillips em um artigo para a American Sociological Review, em 1974, intitulado “The influence os suggestion on suicide: substantive and theoretical implications of the Werther Effect”.

Esse artigo, de 15 páginas, descreve a elevação das taxas de suicídio em diversos países após a publicação de “Os sofrimentos do jovem Werther” (Goethe, 1774). Argumentando que essa obra romantizou a morte da personagem e ofereceu uma saída fácil e covarde.

O artigo é uma peça cômica de estatística, mas não bastasse isso, ignora que a juventude europeia está massacrada pela ausência de perspectivas.

Se, em 1974, houvesse Wikipédia, Phillips saberia, por exemplo, que a revolução francesa ocorre 15 anos depois da primeira publicação da obra de Goethe.

Em 1846, a obra de Goethe já estava publicada há 72 anos e a já existia uma versão censurada desde 1787. Marx, que tinha 28 anos, publicou um pequeno texto chamado “Sobre o suicídio”, no qual, através das palavras de Jacques Peuchet diz o seguinte:

“Tudo o que se disse contra o suicídio gira em torno do mesmo círculo de ideias. Contra ele são postos os desígnios da Providência, mas a própria existência do suicídio é um notório protesto contra esses desígnios ininteligíveis. Falam-nos de nossos deveres para com a sociedade, sem que, no entanto, nossos direitos em relação a essa sociedade sejam esclarecidos e efetivados, e termina-se por exaltar a façanha mil vezes maior de dominar a dor ao invés de sucumbir a ela, uma façanha tão lúgubre quanto a perspectiva que ela inaugura. Em poucas palavras, faz-se do suicídio um ato de covardia, um crime contra as leis, a sociedade e a honra. Como se explica que, apesar de tantos anátemas, o homem se mate? [..] O que dizer da indignidade de um estigma lançado a pessoas que não estão mais aqui para advogar suas causas? […] As medidas infantis e atrozes que foram inventadas conseguiram combater vitoriosamente as tentações do desespero? Que importam à criatura que deseja escapar do mundo as injúrias que o mundo promete a seu cadáver? Ela vê nisso apenas uma covardia a mais da parte dos vivos. Que tipo de sociedade é esta, em que se encontra a mais profunda solidão no seio de tantos milhões; em que se pode ser tomado por um desejo implacável de matar a si mesmo, sem que ninguém possa prevê-lo? Tal sociedade não é uma sociedade; ela é, como diz Rousseau, uma selva, habitada por feras selvagens.” (Boitempo, 2006).

Jacques Peuchet não era revolucionário, muito menos socialista, mas trabalhando como diretor dos arquivos da polícia realizou um levantamento censitário na França e teceu duras críticas – ainda que românticas – à sociedade europeia.

Nós não temos censos confiáveis sobre o número de pessoas que se suicidam e o suicídio infantil é proibido de ser registrado como tal até mesmo nos atestados de óbitos, muito embora seja um sintoma dos mais duros sobre a irracionalidade de nosso modo de vida.

Por outro lado, não existe igualmente nenhum estudo substantivo sobre os efeitos da publicização do suicídio. Nós apenas ficamos proibidos de falar sobre isso. Talvez porque se nós soubéssemos quantos de nós adoece e morre em função das desgraças subjetivas inerentes ao capitalismo, a coisa ficaria feia.

Eu tenho a hipótese de que a ausência de debates sinceros sobre nossos pensamentos suicidas é uma das principais vias pelas quais eles são vividos subjetivamente como processos absolutamente individuais.

“[…] o suicídio não é mais do que um entre os mil e um sintomas da luta social geral, sempre percebida em fatos recentes, da qual tantos combatentes se retiram porque estão cansados de serem contados entre as vítimas ou porque se insurgem contra a ideia de assumir um lugar honroso entre os carrascos.” (MARX, 2006, p. 29)

Nós achamos patético que uma fábrica chinesa instale grades nas janelas para evitar que seus funcionários se matem durante a jornada de trabalho, e enquanto isso, evitamos nos perguntar sobre quantas pessoas se suicidaram em nosso campus apenas no último ano.

Não é porque algo é o sintoma da doença de uma sociedade, que seja sinal de doença do indivíduo. Eu trabalho muito todos os dias, desde a hora em que acordo até quase o momento de dormir. Fico feliz com as pequenas conquistas. Mas desde as férias escolares da oitava série, eu nunca mais me senti feliz por uma semana inteira. Desde então, todos os dias há esse dilema sobre “ganhar a vida” e esse sentimento permanente de despossessão. Acho que eu não conheço nenhuma pessoa da minha idade que se sinta agarrada verdadeiramente à vida sequer por uma dúzia dias. Acho que está na hora de nós nos reunirmos no mesmo dia, na mesma hora, e quebrar tudo. Allan Kenji»»

 
 
 

docente efetivo?

[sex] 14 de abril de 2017
Tempo de serviço líquido: 03 anos.
Tempo de serviço descontado: 02 meses 10 dias (esses são as cicatrizes da guerra!)
e na virada do mês (2/5)… faço cinco anos de magistério, na função docente (somando com meus 1 ano e nove mês e um dia de act).
*
meta do feriado: tomar no horário os antibióticos (próximo horário – 5h00). não morrer.
*
corrigir todas as avaliações.
por em dia o professor online.
*
fukuta está visitando a casa.
*
rascunhos esperam edição/publicação.

o sol é uma estrela como as outras!

[seg] 10 de abril de 2017

ponderando. sábado da família na escola… oficina de war… para todar o dia menos pesado. domingo… vegentando no prof. online e nas pencas de papeis… produzindo notas, dados… segunda-feira cedo… 3 aulas sobre escola sem partido, um júri simulado… que não funcionou direito em duas turmas.

estou exausto… e tem mais uma penca de aula pela noite. e papeis… malditos papeis. e sigo intrigado com coisas assim:

«”A ciência não é apenas um saco de truques úteis para compreender a física ou a biologia, mas sim um método mais geral e uma atitude racional baseada no modesto princípio de que as afirmações empíricas devem ser sustentadas por provas empíricas”, resume.

“Toda a autoridade das religiões em termos éticos depende da verdade de suas doutrinas sobre os fatos”

Pergunta. Quais são os principais inimigos de uma forma de ver o mundo em que os fatos sejam importantes?

Resposta. Começando pelos mais inofensivos, eu diria que são os acadêmicos pós-modernos, os que defendem que o conhecimento é uma construção social. Em segundo lugar, os entusiastas da pseudociência, e há muitos – por exemplo, as terapias alternativas ou complementares à Medicina. A homeopatia é um exemplo que contradiz tudo o que sabemos de física ou química. Em terceiro lugar, há pseudociências piores, como a negação a evolução biológica, que está na intersecção entre política e religião.

Existe uma oposição fundamental e inevitável entre a ciência e a religião. Nem tanto por sua discrepância sobre teorias concretas como o heliocentrismo desde há quatro séculos, ou o evolucionismo. Na verdade, trata-se de uma contradição fundamental sobre os métodos que os seres humanos deveriam seguir para ter um conhecimento confiável sobre o mundo.

P. Ciência e religião não são compatíveis?

R. Para mim, a ideia de Steve Jay Gould, que diz que a ciência e a religião são dois caminhos que não se sobrepõe, que a ciência limita-se a falar de fatos e a religião a falar de ética, é insustentável. Em primeiro lugar, porque os fiéis não podem assumir a sugestão de Jay Gould e não falar sobre fatos. Um cristão não pode dizer que Deus não existe, nem que Jesus não era seu filho. Além disso, se a religião não falasse de fatos, que autoridade ela teria para falar de ética? A única razão para prestar atenção ao que uma religião diz é ver se suas doutrinas sobre os fatos são verdadeiras. Se Deus realmente existe, devemos adaptar nossas nossa ética ao que Deus quiser. Toda a autoridade das religiões em matéria ética depende da veracidade de suas doutrinas sobre os fatos. Por isso, existe uma colisão inevitável entre ciência e religião sobre os fatos. A religião não pode abster-se de fazer afirmações sobre a história do universo e a história humana.

“O pior adversário da ciência são os agentes de relações públicas, os políticos e as empresas que os empregam”

Há um conflito fundamental sobre os métodos que os seres humanos devem usar para chegar a um conhecimento confiável. As ciências usam as observações, os experimentos e a reflexão racional sobre dados empíricos. As religiões aceitam a validez deste procedimento, mas sustentam que existem outros métodos también confiáveis, como a intuição, a revelação ou a interpretação de textos sagrados. Nós devemos nos perguntar se os métodos propostos pelas religiões també têm tantos testes de confiabilidade, e a resposta é “não”. Quando entramos no âmbito dos métodos, a religião fracassa completamente.» disponível em: <http://brasil.elpais.com/brasil/2017/04/05/ciencia/1491416759_691895.html&gt;

***

#umpoetaumpoemapordia #162 (10/4)
POEMA – O SONHO

Pelo Sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos,
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e do que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

– Partimos. Vamos. Somos.

POETA – SEBASTIÃO DA GAMA


papéis e valores

[sex] 7 de abril de 2017

revisando as aulas de hoje… todos estão falando de poder, dessa coisa que leva os individuos a permenecerem coesos e/ou em conflito. que leva a gente a agir…

a coerção social produzida pelos fatos sociais e o estado de anomia; o poder que emana da autoridade legitima ou da dominação não legítima; e a ideologia, a consciência de classe e a alienação.

 

***

estava tentando definir esse aperto, essa revolta… ESTOU ANGUSTIADO.

chega, desisto. essa escola que está ai não foi feita para aula expositiva. eu não fui feito para aula expositiva. volte aquelas estratégias lá do começo, use tua intuição bicho, não se deixe cooptar. o governo quer cinquenta avaliações para os cinquenta estudantes por turma das cinquentas turmas que tu tem… faça-as. mas do seu jeito.

coisa para abolir: nota do caderno e aulas expositivas-impositivas. coisas para adotar: estratégias de trabalho coletivo/grupo. outra coisa importante… fugir da sala, ocupar outros espaços da escola, dar autonomia ao processo… deixá-los mais soltos… ser menos fiscal de obra e mais orientador do processo, respeitando as diferenças… parar de nivelar por baixo – e ainda assim excluir uma penca. buscar a empatia, buscar a cumplicidade… buscar o respeito. te auto respeitar para poder respeitá-los. voltar a gostar de estar em determinadas turmas… não senti-los como um fardo ou estorvo.

pra isso: planejamento bichinho… nada de improvisos, se improvisar… que seja sobre o planejado já.


ser mais que uma besta de carga

[qui] 6 de abril de 2017

11h04 só para registro:

dormi mal. o corpo não aguentou e desmaiou… acordei todo quebrado e um pouco cansado. acordei tarde. derrubei o pote de moedas antigas. quase furei o olho na bomba do mate. percebi que o vencimento de duas contas não era hoje, como eu imaginava… foi ontem, pagavéis somente na caixa, que merda. não fechou nem a primeira semana do mês e já estou devendo pra umbando de gente. triste.

sem contar as 5oo avaliações sobre a mesa me esperando…

***

14h42 outras notas:

mateei, almocei, organizei os papeis por turma… carai… é muita coisa. mas não toquei em nada. sigo me enrolando… deixando as horas passarem. tirei essa citação abaixo da timeline do didi

«O tempo é o campo do desenvolvimento humano. O homem que não disponha de nenhum tempo livre, cuja vida – afora as interrupções puramente físicas, do sono, das refeições etc. – esteja toda ela absorvida pelo seu trabalho para o capitalista, é menos que uma besta de carga. É uma simples máquina, fisicamente destroçada e brutalizada intelectualmente, para produzir riqueza para outrem. E, no entanto, toda a história da indústria moderna revela que o capital, se não tiver um freio, tudo fará, implacavelmente e sem contemplações, para conduzir toda a classe operária a esse nível de extrema degradação». “Trabalho assalariado e capital & salário, preço e lucro” de K. Marx (Ed. Expressão Popular)

23h32 nota final.

numa noite debatendo sobre avaliação (e nos insurgindo contra a normativa do governo), mas que no frigir dos ovos… não tocamos em nenhum ponto dessa fala abaixo, lida por acaso, por agora (pra ser honestos, passamos muito longe – anoto para o dia em que eu ressuscitar):

Diz que numa aula não se aprende nada, que os exames são o método mais falível que existe, que chumbar é a prova que a escola não funciona. O que pode ser diferente? Como se avalia um aluno?
A afirmação é radical. Mas toda a regra tem exceção. Aprendi Francês escutando aula, porque me apaixonei pela professora. A aprendizagem é antropofágica. Não se aprende o que o outro diz, apreendemos o outro. Um professor não ensina aquilo que diz, transmite aquilo que é. Poderá acontecer aprendizagem em sala de aula, se forem criados vínculos e esses vínculos não são apenas afetivos, também são do domínio da emoção, da ética, da estética… O que dizer da avaliação? Que quase não existe, nas escolas. Um ministro de má memória introduziu mais exames no sistema. Mais exames não melhoram o sistema, porque não é a preocupação com o termómetro que faz baixar a temperatura. O teste é o instrumento de avaliação mais falível que existe. Conceber itens de teste, garantir fidelidade e tudo mais é um exercício extremamente rigoroso, assim como assegurar que as condições são as mesmas para todos quando se aplica o teste. Além disso, corrigir o teste também introduz uma subjetividade enorme. Esses instrumentos de avaliação apenas «provam» a capacidade de acumulação cognitiva, de armazenamento de informação em memória de curto prazo, para debitar no exame e esquecer.

Qual é então o modelo de avaliação que preconiza?
A avaliação praticada na Ponte e no Projeto Âncora é aquela que a lei estabelece: avaliação formativa, contínua e sistemática. Em muitas escolas aplica-se o teste e dá-se uma nota sem saber o que se faz. Há quem confunda avaliação com classificação e dê a nota a partir dos resultados dos testes.

extraída de:  José Pacheco: «Procurem nas escolas professores que ainda não tenham morrido». disponível em: http://www.noticiasmagazine.pt/2017/jose-pacheco/


pergunte pro seu orixá / amor só é bom se doer

[ter] 4 de abril de 2017

exercício noturno (enantiomorfo)

por um truque de luz
na noite longa
pela janela do trem
olho nos olhos
daquele que sente dor

e a sua dor, ali, exposta,
diante de mim, refletida,
é tão nua, é tão minha.

minha dor, meus olhos,
minha jornada adentro
num estranhamento poético.

quiserá que fora só dele,
do homem de olhos castanhos,
essa dor d’alma
essa dor de dente
essa dor do peito
essa dor de se ser gente…

e saber que o outro,
é a dor que tu sentes

Santo Antônio de Lisboa/TISAN. 4 ABRIL.

***

 

exercícios sobre a percepção

I
o poeta contempla poemas
uns grafitados na pedra,
no papel, na parede
outros ainda na fluidez
de sua mente
e uns tantos ainda
não descobertos,
não inventados,
alheios ao letramento

*
II
o poeta, às vezes,
é como um desses
zumbis do cotidiano

o corpo está ali,
quase inerte,
enquanto a mente…

essa viaja
e conecta-se…
presa na rede
imaginária.

Vargem Grande/TICAN – Santo Antônio de Lisboa/TISAN. 4 ABRIL.

***

dessas aleatórias, que alguém canta no busão… e ainda indica para xs amigxs. eu só escuto… e penso: há vida no busão, saravá.

“Pergunte pro seu Orixá / Amor só é bom se doer”

CANTO DE OSSANHA / Vinicius de Moraes, Baden Powell

O homem que diz “dou” não dá
Porque quem dá mesmo não diz
O homem que diz “vou” não vai
Porque quando foi já não quis
O homem que diz “sou” não é
Porque quem é mesmo é “não sou”
O homem que diz “estou” não está
Porque ninguém está quando quer
Coitado do homem que cai
No canto de Ossanha, traidor
Coitado do homem que vai
Atrás de mandinga de amorVai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou
Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor

Amigo sinhô
Saravá
Xangô me mandou lhe dizer
Se é canto de Ossanha, não vá
Que muito vai se arrepender
Pergunte pro seu Orixá
Amor só é bom se doer

Vai, vai, vai, vai amar
Vai, vai, vai, vai sofrer
Vai, vai, vai, vai chorar
Vai, vai, vai, vai dizer
Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor

sobre Os afro-sambas de Baden e Vinicius: É, não sou: “Canto de Ossanha” e a Dialética em Forma de Canção, de Isabela Morais
Dialética
É claro que a vida é boa / E a alegria, a única indizível emoção / É claro que te acho linda / Em ti bendigo o amor das coisas simples / É claro que te amo / E tenho tudo para ser feliz / Mas acontece que eu sou triste… (Vinicius de Moraes)
e essa passagem citada em texto de Túlio Ceci Villaça,

Vale conhecer um mito yorubá, contado pelo historiador Reginaldo Prandi, que explica e motiva a afirmação se é canto de Ossanha não vá, que muito vai se arrepender:

Um rei decidiu casar a sua filha mais velha. Dá-la-ia em casamento ao pretendente que adivinhasse o nome de suas três filhas. Ossaim aceitou o desafio. À tarde, Ossaim saiu sorrateiro por trás do palácio. Subiu no pé de obi [nogueira] e se escondeu entre seus galhos. Quando as três princesinhas saíram para brincar, foram surpreendidas por um canto que vinha daquela árvore. Era o canto de pássaro irresistível, de um passarinho das matas de Ossaim. Mas o canto era de Ossaim, imitando o pássaro. O passarinho brincou com as três princesas e conseguiu saber o nome delas: Aio Delê, Omi Delê e Onã Iná, eram estes os nomes das filhas do rei. Sua esperteza havia dado certo. No dia seguinte Ossaim foi ao rei e declamou a ele o nome das princesas. Ossaim, então, casou-se com a mais velha. Sua esperteza havia dado certo. Ossaim desde então é identificado com o pássaro.


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